“Os governos devem investir mais nos CSP para garantir melhores resultados em saúde”
Karen Flegg terminou o mandato à frente do WONCA no Congresso mundial, que se realiza entre 16 e 20 de setembro, em Lisboa. Em entrevista, faz um balanço do mandato 2023 – 2025 e defende maior aposta nos cuidados de saúde primários.

O que gostaria de destacar do trabalho desenvolvido à frente da WONCA no 2023-2025?
Como presidente da WONCA, as áreas-chave de atuação foram Governança, Ecologia e Crescimento. Tivemos melhorias na Governança, o que incluiu o desenvolvimento de um plano estratégico de trabalho, em 2023: há uma task-force, em Lisboa, que trabalha no sentido de se ter uma nova estrutura de votação; e estão a ser implementados comités de Equidade Organizacional em cada região. A WONCA é líder em saúde planetária (Ecologização), tendo apresentando uma declaração no Conselho Executivo da OMS e na Conferência do Ar Limpo da OMS, na Colômbia. Em 2024, o tema do Dia Mundial do Médico de Família foi “Planeta saudável, pessoas saudáveis”. A colaboração da WONCA com a OMS está cada vez mais forte. Já este ano, apresentámos declarações ao Comité Executivo do OMS, estamos envolvidos e projetos como o PHC Services Package da UHC e o Dr. Fogarty, representante da WONCA na OMS, esteve no encontro do WONCA Executive – um grande feito!
Como você vê, atualmente, a realidade da Medicina Geral e Familiar (MGF) no mundo?
A MGF está cada vez mais forte, a nível mundial, mas precisamos garantir que o seu desenvolvimento é contínuo. Devemos lutar para que sejam criados departamentos de MGF em todas as faculdades de medicina; por uma sólida formação pós-graduada; e pelo desenvolvimento profissional contínuo. Apostar em investigação também é importante.
“Globalmente, há escassez de recursos humano e está a aumentar o burnout por causa do excesso de trabalho”
Quais são os principais obstáculos da MGF ?
Os governos devem investir mais nos CSP para garantir melhores resultados em saúde e a custos mais baixos. A MGF deve ser reconhecida como parte essencial dos CSP e uma Medicina de Família sólida é crucial, para que esta área seja reconhecida como especialidade em todos os países. A sustentabilidade da nossa força de trabalho é desafiadora. Globalmente, há escassez de recursos humano e está a aumentar o burnout por causa do excesso de trabalho. A WONCA está comprometida em defender políticas que promovam o bem-estar dos médicos, uma remuneração justa e condições para que se possam desenvolver profissionalmente. O salário deve ter por base a qualidade da prestação de cuidados e não apenas o volume de serviços.
A especialidade ainda é atraente para os mais jovens?
A atratividade varia de acordo com o país e depende de muitos fatores – programas de formação, tutoria, remuneração e equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Integrar a Medicina de Família na educação médica ajudará a garantir nossa futura força de trabalho. Devemos orientar jovens médicos e envolvê-los na construção do futuro.
“O futuro da nossa especialidade dependerá da nossa capacidade de trabalharmos juntos, ao serviço da humanidade”
Este Congresso será realizado em Portugal. Por que escolheram o nosso país?
O Conselho Mundial da WONCA, que representa 134 organizações-membro, seleciona o país anfitrião. Lisboa foi escolhida em 2021. É fácil perceber por que os colegas do mundo inteiro gostariam de se reunir em Portugal – é um destino lindo e acolhedor, rico em história. Esta será uma conferência da WONCA inesquecível!
Que mensagem você gostaria de compartilhar com os médicos?
Lembro o que disse o primeiro presidente da WONCA, Dr. Monty Kent Hughes: “O futuro da nossa especialidade dependerá da nossa capacidade de trabalharmos juntos, ao serviço da humanidade”.
Maria João Garcia











