18 Abr, 2017

Ordem dos Médicos denuncia a falta de equipamentos de radioterapia no Centro

A Ordem dos Médicos denunciou que há uma grande carência de aceleradores lineares na região Centro, referindo ainda que um dos três equipamentos de radioterapia dos Hospitais de Coimbra não está a funcionar por falta de licença do ministério

“A região Centro é uma região extremamente deficitária neste tipo de equipamentos [aceleradores lineares]”, criticou o presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM), Carlos Cortes, que falava aos jornalistas após uma visita ao serviço de radioterapia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) que decorreu ontem.

Neste momento, a região Centro tem cinco equipamentos e, a breve trecho, irá perder dois dos que estão no CHUC – um ainda este ano e outro em 2018.

“A região deveria ter nove aceleradores”, para cumprir a meta fixada em Conselho de Ministros, em 1995, de um acelerador linear por 250 mil habitantes, defendeu.

A situação, frisou, “tem de ser rapidamente resolvida”, visto que a média de aceleradores por habitantes “é respeitada a nível nacional”, mas o Centro “está muito abaixo” dessa meta.

A aquisição de novos aceleradores lineares é fundamental, por serem equipamentos de tratamento de “doentes que sofrem patologias graves – doentes com cancros -, cujo início do tratamento é muito importante para o êxito desse mesmo tratamento”, vincou, considerando que a situação tem de ser resolvida com “absoluta urgência”.

O Ministério da Saúde refere que “está a analisar as questões da radioterapia da região Centro numa perspetiva integrada e global e não apenas olhando para a realidade de Coimbra”.

“Assim, está em estudo avançado a localização” de uma unidade de radioterapia no Centro Hospitalar Tondela Viseu (CHTV), “que permita aos doentes da Beira Interior ter um serviço de proximidade que evite as suas deslocações a Coimbra”, acrescenta a tutela, sublinhando que esta descentralização permitiria uma diminuição da afluência aos serviços prestados em Coimbra, quer no CHUC quer no Instituto Português de Oncologia (IPO).

O Ministério da Saúde sublinha ainda que “os tempos de espera e o número de doentes não justificam uma tomada de decisão precipitada, pois não está em causa o acesso aos tratamentos, que se mantêm em ritmo e oferta satisfatórios”.

Em declarações aos jornalistas, Carlos Cortes alertou também para o facto de o serviço de radioterapia do CHUC ter três aceleradores lineares, mas “só dois estão a funcionar” por faltar uma licença do Ministério da Saúde para poder ser utilizado o terceiro.

O presidente da SRCOM realçou que o CHUC já pediu por três vezes a autorização à tutela para o funcionamento de um terceiro acelerador.

Segundo o presidente da SRCOM, ficaram por tratar 600 doentes e por fazer 12 mil sessões de radioterapia em 2016 por o terceiro equipamento não estar a funcionar.

“Por causa da falha, muitos doentes poderiam ter o tratamento imediatamente, mas têm de esperar mais de quatro, cinco ou seis semanas para as sessões de radioterapia se iniciarem”, alertou.

O CHTV anunciou que já foi submetido ao secretário de Estado da Saúde o estudo relativo à instalação do serviço de radioterapia em Viseu, que propõe uma “parceria inovadora” com o IPO de Coimbra.

LUSA/SO/SF

 

Gedeon Richter

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