OMS alerta: quase 40% dos cancros estão ligados a fatores evitáveis
Quase quatro em cada dez cancros diagnosticados no mundo podem ser prevenidos, por estarem associados a fatores de risco evitáveis como tabaco, álcool e infeções, conclui um estudo da Organização Mundial da Saúde divulgado na véspera do Dia Mundial do Cancro.

Quase 40% dos novos casos de cancro a nível mundial estão associados a fatores de risco evitáveis, o que significa que uma parte substancial da doença poderia ser prevenida, alertou a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Dados do estudo apresentados pela agência das Nações Unidas indicam que, em 2022, cerca de 7,1 milhões dos 18,7 milhões de novos cancros diagnosticados em adultos tiveram origem em fatores preveníveis.
“Trata-se de uma proporção muito significativa”, sublinhou Isabelle Soerjomataram, uma das autoras da investigação, durante a conferência de imprensa de apresentação dos resultados, na véspera do Dia Mundial do Cancro.
O trabalho analisou 30 causas evitáveis de cancro, incluindo o consumo de tabaco e de álcool, o excesso de peso, a inatividade física, a poluição do ar, a exposição à radiação ultravioleta e, pela primeira vez, nove infeções associadas ao desenvolvimento da doença.
Segundo a OMS, estas 30 causas explicam cerca de 37,8% do total de novos diagnósticos de cancro em todo o mundo.
Entre os 7,1 milhões de casos associados a fatores preveníveis, 3,3 milhões foram atribuídos ao tabagismo, 2,2 milhões a infeções e cerca de 700 mil ao consumo de álcool.
“Só estes três fatores representam a maioria dos casos de cancro ligados a causas evitáveis”, destacou Isabelle Soerjomataram, defendendo que o reforço das políticas de prevenção pode ter um impacto relevante na redução da incidência da doença.
O estudo, que analisou 36 tipos de cancro em diferentes países, concluiu ainda que os cancros do pulmão, do estômago e do colo do útero concentraram quase metade de todos os casos evitáveis, tanto em homens como em mulheres.
O cancro do pulmão esteve sobretudo associado ao consumo de tabaco e à poluição do ar, o cancro gástrico foi maioritariamente atribuído à infeção pela bactéria Helicobacter pylori e o cancro do colo do útero foi relacionado, na maioria dos casos, com o papilomavírus humano (HPV).
A OMS apurou também que a carga de cancro evitável é superior nos homens. Estima-se que o tabagismo seja responsável por cerca de 23% dos novos casos de cancro masculinos, seguido das infeções (9%) e do consumo de álcool (4%).
Entre as mulheres, as infeções representaram 11% dos novos diagnósticos, seguidas pelo tabaco (6%) e pelo excesso de peso, associado a 3% dos casos.
Para a OMS, os resultados reforçam a necessidade de estratégias de prevenção adaptadas a cada contexto, incluindo políticas rigorosas de controlo do tabaco, regulação do álcool, vacinação contra infeções oncogénicas como o HPV e a hepatite B, melhoria da qualidade do ar, ambientes de trabalho mais seguros e promoção de estilos de vida saudáveis.
A organização sublinha que uma ação coordenada entre setores como a saúde, educação, transportes, energia e trabalho pode evitar que milhões de pessoas enfrentem um diagnóstico de cancro.
“Estamos perante boas notícias baseadas na ciência: muitos cancros podem ser prevenidos”, afirmou Andre Ilbawi, responsável da Equipa de Controlo do Cancro da OMS, salientando que os números de novos casos “podem ser alterados” com medidas eficazes de prevenção.
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