Obesidade infantil pode baixar esperança média de vida dos portugueses

Uma em cada três crianças em Portugal tem excesso de peso. Ana Isabel Rito, investigadora e presidente da 3.ª Conferência Internacional de Obesidade Infantil, salientou que se não forem tomadas medidas para reduzir os números da obesidade infantil, a esperança de vida dos portugueses pode baixar

Ana Isabel Rito é investigadora do Instituto Ricardo Jorge e coordenadora do estudo da “Childhood Obesity Surveillance Initiative” (COSI) Portugal, da Organização Mundial de Saúde. É também presidente da 3.ª Conferência Internacional de Obesidade Infantil, que começou ontem em Lisboa.

A conferência junta participantes de mais de 40 países, que até sábado vão debater, na Fundação Champalimaud, questões ligadas à alimentação, ao ambiente escolar, à saúde e à nutrição, tudo no sentido de lutar contra a obesidade infantil.

Uma em cada três crianças em Portugal tem excesso de peso. Francisco George, diretor-geral da Saúde, lembrou que reduzir essa cifra é um dos grandes objetivos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e disse que os esforços devem ser feitos antes de as crianças chegarem ao excesso de peso.

Tim Lobstein, da Federação Mundial de Obesidade, salientou que há no mundo uma “batalha política” a travar, o combate à obesidade, uma das “grandes preocupações” da Organização Mundial de Saúde, como disse Gauden Galea, representante da organização na conferência.

E Ana Rito falou também da preocupação que é para Portugal, país no “top five” em obesidade infantil, a par de Estados como Espanha, Itália, Malta ou a Grécia.

“Uma em cada três crianças em Portugal tem esse problema” (excesso de peso), disse, explicando que essa é uma das razões para que a conferência aconteça em Lisboa, depois de seis anos sem se realizar. E para lutar contra a obesidade, afiançou, a abordagem tem de ser “multissetorial”, porque tem de envolver as famílias, as escolas, as comunidades e as políticas locais e regionais.

E da conferência espera respostas e uma abordagem critica aos fatores de risco da obesidade infantil, com debates juntando os países do sul da Europa (com mais obesidade infantil) mas também outros sobre o marketing ligado à alimentação para os mais jovens ou sobre as questões culturais e as boas práticas.

Para a situação a que se chegou a especialista responsabiliza a mudança nutricional que aconteceu no país nas últimas quatro décadas e lembra que foi nesse período que se baixou a mortalidade infantil mas que se começou a morrer das doenças ligadas ao estilo de vida.

“Não reconhecemos mais a dieta mediterrânica nas mesas das famílias portuguesas”, lamentou, acrescentando que se o país ganhou na mortalidade infantil perdeu no estilo de vida e provavelmente vai ver reduzir a esperança de vida.

Baixar para 20% o número de crianças com excesso de peso (idêntico ao registado nos países nórdicos) é o objetivo mas, segundo lembrou Ana Rito, para já Portugal apenas conseguiu estabilizar e não registar mais aumentos na obesidade infantil.

A conferência é promovida pelo Instituto Ricardo Jorge, com o apoio do Ministério da Saúde.

LUSA/SO/SF

 

 

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