28 Nov, 2018

O primeiro TAC em carga da península ibérica já chegou a Portugal

Equipamento de última geração está instalado há cinco meses no Hospital Trofa Saúde, em Gaia e recolhe imagens tridimensionais dos pés, tornozelos e joelhos de doentes em carga (ou seja, de pé), o que permite identificar doenças osteoarticulares de uma forma mais fácil e mais próxima da realidade.

O Trofa Saúde em Gaia acaba de adquirir o Carestream Onsight 3D Extremity, uma máquina de Tomografia Axial Computorizada (TAC) em carga, um dispositivo inovador de última geração que vem revolucionar o diagnóstico na área da ortopedia. Trata-se do primeiro hospital da Península Ibérica a ter este equipamento.

O Carestream Onsight 3D Extremity distingue-se por permitir realizar uma TAC em 3D aos pés, tornozelos e joelhos com o doente em pé, ou seja, com o peso do corpo sobre a articulação em observação. É o que a diferencia da TAC convencional que é realizada com o doente deitado. “As articulações dos membros inferiores suportam peso e a expressão da articulação é diferente quando está em descarga ou quando o peso do doente está em cima do pé”, explica ao Saúde Online, Nuno Brito, diretor clínico do Trofa Saúde Hospital em Gaia e médico-cirurgião do pé e tornozelo.

“Passo de gigante na ortopedia nacional”

Agora é possível a realização de exames com sustentação de peso corporal. A esta vantagem acresce outras duas, nomeadamente a rapidez de execução — o exame demora apenas 25 segundos — e a diminuição da exposição à radiação.

De acordo com Nuno Brito, “a assistência clínica aos doentes com patologia dos membros inferiores dá assim um passo de gigante na ortopedia nacional. A TAC em carga possibilita que a articulação seja estudada exatamente como se comporta no dia a dia, na sua forma mais fisiológica, sendo possível detetar alterações e patologias que não são aparentes numa articulação de um doente que está deitado. Isto é importante, obviamente, nas articulações do membro inferior, que suportam o peso do corpo quando o doente está de pé”.

Dr. Nuno Brito, cirurgião e diretor clínico do Trofa Saúde

O especialista destaca que “a patologia degenerativa é por excelência aquela que mais beneficia da avaliação em carga uma vez que consiste no “desgaste” da cartilagem, isto é a artrose”. Este desgaste está muitas vezes “escondido” nos exames convencionais. Por outro lado, permite também quantificar melhor o grau de evolução e assim planear melhor o tratamento”.

Nova forma de ver atroses e deformações do pé

“Numa fase inicial da artrose, as alterações que aparecem na articulação são muito subtis e nós conseguimos, com o TAC em carga (porque é um exame tridimensional), ver todas as pequenas alterações que surgem. Enquanto o raio-x projeta uma imagem bidimensional”, detalha Nuno Brito.

O TAC em carga também se revela fundamental na análise de doenças que deformam os pés, que, “em descarga, têm um aspeto normal mas quando voltamos a pôr o peso em cima do pé, este vai deformar e mostrar todas as fragilidades”, acrescenta o especialista.

Nas lesões osteoarticulares provocadas pela prática desportiva, a instabilidade que frequentemente existe, neste tipo de patologias, beneficia de um melhor diagnóstico quando o exame é feito em “carga”. Através de uma avaliação precoce, é possível estruturar um tratamento mais direcionado, evitando cirurgias desnecessárias ou permitindo uma decisão cirúrgica mais precoce.

A rapidez de utilização do Carestream Onsight 3D Extremity, comparado com a TAC convencional, é outro fator distintivo. Isto porque o tempo que demora a realizar o exame — 20 a 25 segundos, apenas — permite, não só, reduzir a permanência do paciente na máquina como facilitar a realização de mais exames num curto espaço de tempo, evitando longos períodos de espera para os doentes.

Para Nuno Brito, outra vantagem deste dispositivo está relacionada com o nível de radiação. “Convencionalmente os aparelhos de TAC submetem o doente a uma maior exposição à radiação que a radiografia (RX). No entanto, devido à forma inovadora de funcionamento deste aparelho, e também pelo facto de ser dirigido à patologia osteoarticular, o doente está exposto a um valor mínimo de radiação, comparável a um estudo completo de radiografia (RX). Sendo assim a exposição à radiação deixou de ser um fator decisivo neste exame”, refere.

Saúde Online / Comunicado

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