18 Out, 2018

“O atual modelo remuneratório do serviço farmacêutico é insustentável”, diz presidente da ANF

Começa esta quinta-feira o 13º Congresso das Farmácias, que vai decorrer até sábado no Centro de Congressos de Lisboa. O financiamento, a inovação e a promoção da saúde vão ser os temas em destaque este ano. Falámos com o presidente da Associação Nacional de Farmácias.

Saúde Online | O que quer destacar no programa deste 13º congresso das farmácias?

Dr. Paulo Cleto Duarte| A participação de mais de três mil farmacêuticos, proprietários e das suas equipas, num grande momento de afirmação do sector. O facto de juntarmos um programa de formação ao programa científico, ambos centrados na melhoria contínua do nosso serviço aos portugueses.

Qual é a importância de reunir no mesmo espaço durante três dias todos os stakeholders do setor?

PCD | Nós acreditamos que as pessoas devem estar no centro do sistema de saúde. Para responder às necessidades dos portugueses, os serviços de saúde têm de trabalhar em rede e os profissionais como uma verdadeira equipa. Só assim os doentes poderão beneficiar de um acompanhamento permanente. Os portugueses desejam resolver os seus problemas concretos de saúde com o profissional certo em cada momento.

A questão em torno da sustentabilidade do setor continua a ser um tema na ordem do dia. Que desafios se colocam nesta área e de que forma o congresso os vai abordar?

PCD| Como demonstra um estudo recente da Universidade de Aveiro, as farmácias têm prejuízo para garantirem o serviço público de dispensa aos portugueses dos medicamentos comparticipados pelo estado. O atual modelo remuneratório do serviço farmacêutico é insustentável. Uma em cada cinco farmácias enfrenta, neste momento, processos de penhora e de insolvência. Vamos debater e apresentar com clareza à sociedade portuguesa soluções que combinam a sustentabilidade das farmácias e das contas públicas, com o alargamento dos serviços à população.

Que caminho estão as farmácias a percorrer para se tornarem num serviço mais próximos das pessoas?

PCD | Os farmacêuticos e as suas equipas foram pioneiros na formação científica e técnica ao longo da vida, investindo numa escola própria muito antes de haver subsídios europeus à formação profissional. Continuamos a fazê-lo, com o objetivo claro de melhoria permanente do nosso serviço aos portugueses. Estamos a experimentar, em Bragança, a dispensa domiciliária de medicamentos urgentes e a apostar na revolução digital como meio de assistência permanente às pessoas.

De que forma estão as farmácias a apostar na evolução digital e que inovações se esperam neste âmbito nos próximos tempos?

PCD | Sem alarido, nos últimos meses implementámos uma revolução histórica na adesão á terapêutica e na segurança da dispensa de medicamentos. As farmácias estão a imprimir e a colar nas embalagens etiquetas de posologia personalizadas, com o nome dos doentes. Desta forma, nos domicílios como nos lares de idosos, reduzimos drasticamente o risco de troca de medicamentos e de erros de dosagem. Este novo serviço também compreende alertas por sms e e-mail, garantindo o acompanhamento permanente dos doentes e a resposta imediata a quaisquer necessidades. Nos próximos tempos queremos dar prioridade às ferramentas tecnológicas de contactos com o médicos e outros prestadores de cuidados de saúde. A resposta às necessidades das pessoas implica a integração das redes de prestadores de serviços, como as farmácias, os cuidados primários e os cuidados continuados.

A questão do financiamento das farmácias e da saúde também vai estar em destaque. De que forma as farmácias estão a encarar esses desafios?

PCD | Nós acolhemos com entusiasmo a legislação que estabelece a avaliação dos resultados económicos e na saúde das pessoas de cada serviço e tecnologia de saúde. Concordamos que é necessário reforçar o orçamento da Saúde, que precisa de ser encarada como uma área de investimento. Este sector gera anos de vida saudável, o que o torna um motor da economia. O investimento certo previne doenças e despesa pública futura. A saúde deve ser encarada como sector estratégico. Tem também um grande potencial exportador, infelizmente ainda inexplorado.

Que expectativas tem em relação ao que sairá deste congresso e quais são os grandes desafios que o setor espera no futuro?

PCD | O congresso coincide com um novo ciclo político, como novos protagonistas na área da saúde. Por outro lado, acontece num momento em que temos de renovar o acordo entre as farmácias e o Serviço Nacional de Saúde, que expira a 31 de Dezembro. Esperamos que o congresso contribua de forma significativa para uma negociação séria. Precisamos de um novo Acordo, que devolva a sustentabilidade às farmácias e garanta o seu pelo aproveitamento por parte da população.

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