8 Fev, 2018

Número de toxicodependentes em tratamento aumentou e inverteu tendência de sete anos

O número de doentes tratados por uso de drogas estava a cair desde 2009. Novos casos referem um consumo predominante de canábis.

A tendência de descida mantinha-se desde 2009 mas foi interrompida: em 2016, o número de doentes tratados em ambulatório por uso de drogas aumentou. A revelação é feita pelo relatório anual sobre as drogas e toxicodependência, que foi apresentado esta quarta-feira no parlamento.

Em 2016 estiveram em tratamento 27.834 utentes com problemas relacionados com o uso de drogas no ambulatório da rede pública, o que representa um aumento de 841 doentes em relação ao ano anterior.

Segundo o relatório, elaborado pelo Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), “em 2016, nas redes pública e licenciada, registaram-se 665 internamentos por problemas relacionados com o uso de drogas em Unidades de Desabituação (590 nas públicas e 75 nas licenciadas) e 2.064 em comunidades terapêuticas”.

A heroína continua a ser a droga mais referida pelos utentes com problemas de uso de drogas, mas entre os novos utentes em tratamento, foi a canábis que prevaleceu, sendo a droga associada a 54% dos utentes. Esta queda da predominância da heroína em detrimento de consumos “mais leves”, permitiu que o tratamento em ambulatório ganhasse importância e diminuíssem os internamentos, disse João Goulão, diretor-geral do SICAD.

“No último quadriénio e face ao anterior, verificou-se uma tendência de aumento nas proporções de utentes com a canábis e a cocaína como drogas principais”, lê-se no relatório.

“Os indicadores sobre o consumo de droga injetada e partilha de material apontam para reduções destes comportamentos” no mesmo período, acrescenta.

Só em 2016 iniciaram tratamento 3294 pessoas, das quais 1204 foram readmissões. O número de novos tratamentos (2090) aumentou ligeiramente, mas as readmissões mantêm a tendência de descida e atingiram mesmo o valor mais baixo desde 2010.

Em relação ao tratamento por problemas com álcool, registaram-se, em 2016, 5.375 episódios de internamentos hospitalares, a maioria dos quais relacionados com doença alcoólica do fígado (65%) e síndrome de dependência alcoólica (21%).

Se se considerar diagnósticos secundários relacionados com álcool, o número de internamentos é bastante superior (33.899), “verificando-se neste caso um aumento contínuo ao longo dos últimos anos”, alerta o relatório.

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