7 Jun, 2024

NEURO 2024. Neurologia e Neurocirurgia debatem questões em comum

As Sociedades Portuguesas de Neurologia e Neurocirurgia estão reunidas, entre hoje e sábado, na Figueira da Foz. O NEURO 2024 vai contar com vários temas, alguns comuns, que abrangem a área clínica, mas também de organização, face ao alargamento das unidades locais de saúde.

Em declarações ao SaúdeOnline, Isabel Luzeiro, presidente da Sociedade Portuguesa de Neurologia (SPN), realça a interligação entre a Neurologia e a Neurocirurgia no NEURO 2024. “O trabalho deve ser cada vez mais multi e interdisciplinar.”

Uma das temáticas do NEURO 2024, que a responsável começa por destacar, é a da desinformação e fake news. Num mundo digital e globalizado, onde se tem facilmente acesso a informações na internet, a médica diz que é preciso falar-se sobre o seu impacto na prática clínica. “Há doentes que vão à consulta, começando por dizer que não vão tomar quaisquer medicamentos por causa do que leram no Dr. Google e que “sabem a doença que têm”, realça.

A neurologista considera que todos os médicos, inclusive os internos, têm de estar alerta para saberem como desconstruir determinadas ideias. “Temos de explicar que nem tudo o que circula na internet é fidedigno e isso implica ter mais tempo na consulta, porque pode estar em causa ideias construídas sobre dados errados, com todas as consequências negativas que isso pode trazer.”

A responsável alerta, inclusive, para a tendência de se optar por substâncias naturais, que podem ser um risco para a saúde das pessoas. “Não se trata de ser contra terapias alternativas, mas de chamar a atenção para o facto de que há produtos de venda livre que não têm qualquer controlo, podendo ser um risco para a saúde.”

Outro tema em cima da mesa é a expansão das unidades locais de saúde (ULS) e os centros de responsabilidade integrada (CRI). Ambos os modelos estão a levar a várias mudanças e, como salienta Isabel Luzeiro, é preciso criar debate. “As ULS têm um aspeto importante, que é a interligação entre cuidados primários e hospitalares; por ouro lado, não é fácil quando o hospital tem de ficar responsável por questões como a entrega de medicamentos.”

No caso dos CRI, a maior dúvida é o impacto que os mesmos poderão ter na atribuição de idoneidade formativa e de número de vagas para internos nos serviços.

“Acresce, ainda, o facto de os internos terem determinadas valências nos CRI, que agora são serviços distintos, interferindo com a capacidade formativa dos serviços ‘mãe’”.

Ao nível da patologia, a presidente da SPN menciona as cefaleias, nomeadamente nos avanços terapêuticos, e a enxaqueca por abuso de medicação; a doença de Parkinson; epilepsia da ínsula, terapêutica génica e transplante de células hematopoiéticas, traumatismo crânio-encefálico e doenças neurológicas ,entre outras.

Há ainda momentos do Congresso dedicados aos internos, e à sua integração na European Academy of Neurology; a Arte também está presente.

Em suma, “o NEURO 2024 permite a atualização de conhecimentos, mas também o debate em torno de questões que podem afetar o dia a dia dos médicos”.

Maria João Garcia

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