30 Set, 2021

Misericórdias garantem consultas a utentes sem médico de família em Lisboa e Vale do Tejo

Medida abrange cerca de 100 mil utentes, na região mais carenciada do país. Misericórdias mostram-se disponíveis para colaborar noutras zonas carenciadas.

A Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo (LVT) assegurou a realização de 100 mil consultas a utentes sem médicos de família na região através da celebração de protocolos com sete misericórdias na área de Medicina Geral e Familiar (MGF), noticia o Jornal de Notícias.

“Operação Bata Branca” é o nome da solução que permite aos residentes da região de LVT ter acesso a consultas numa das misericórdias inseridas no protocolo, entre as quais estão as Santas Casas da Misericórdia da Amadora, Benavente, Venda do Pinheiro, Barreiro, Canha, Setúbal e Sesimbra. Esta procura “dar resposta aos utentes sem médico de família”, os quais eram mais de 725 mil em agosto passado, esclarece a ARS LVT.

Segundo acrescenta o Grupo Misericórdias Saúde, representado por Humberto Carneiro, o procedimento não sofreu alterações, no sentido em que o que muda é apenas o local de realização da consulta. São promovidas “consultas em situação de doença aguda, consultas do adulto, mas também programas de vigilância em Saúde Materna, Saúde Infantil e Juvenil” e os utentes “pagam a taxa moderadora, se não estiverem isentos”. O “grau de satisfação grande” justifica que “há utentes que já escolhem serem atendidos nas misericórdias”.

Tendo em conta o sucesso do acordo e relembrando que são mais de 1,1 milhões de utentes sem médico de família no país, a União das Misericórdias Portuguesas (UMP) mostra-se disponível para replicar os protocolos noutras zonas carenciadas do país, exemplificando com a região alentejana, uma vez que já foram identificados “centros de saúde que vão ficar sem médicos por causa das reformas”.

A contratualização às misericórdias foi uma solução apresentada pelo presidente da ARS LVT, Luís Pisco, no Parlamento, o qual reforça a sua preocupação relativamente à perda de clínicos na área de MGF acompanhada pelo aumento de inscritos no Serviço Nacional de Saúde (SNS). “Entre janeiro e agosto saíram 154 médicos”, dos quais “92 reformaram-se e 45 rescindiram o contrato”, e perspetivam-se mais de 200 saídas durante os próximos dois anos. Segundo acrescenta, o número de inscritos deve aumentar 2%, para um total de 3,8 milhões.

SO

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