6 Abr, 2023

Ministro da Saúde reconhece necessidade de qualificar resposta de saúde nos lares

O ministro reagiu assim à proposta de ser obrigatório ter um médico permanente nas estruturas residenciais para idosos (ERPI), uma medida defendida pela Associação dos Médicos dos Idosos Institucionalizados.

Ministro da Saúde reconhece necessidade de qualificar resposta de saúde nos lares

O ministro da Saúde defendeu a necessidade de qualificar a resposta de saúde nos lares, onde a carga de doença “é muito elevada”, dando como exemplo o acesso direto a um médico 24h/dia através do balcão Saúde24. Questionado pela Lusa sobre a possibilidade de a legislação poder vir a obrigar os lares a terem um médico em permanência – uma ideia defendida pela Associação dos Médicos dos Idosos Institucionalizados (AMIDI) -, Manuel Pizarro disse que a “solução técnica” para melhorar a resposta de saúde nos lares ainda não foi encontrada.

O governante reconheceu a necessidade de continuar a “trabalhar em conjunto com a Segurança Social sobre as soluções técnicas” para melhorar as respostas de saúde nos lares e deu o exemplo do acesso direto ao balcão Saúde 24, que alguns lares já tiveram no inverno e que se pretende generalizar a tempo do próximo inverno. “Não temos ainda a solução técnica, mas a orientação política é clara: tem que haver uma qualificação da resposta de saúde nessas estruturas, (…) sobretudo para que as pessoas sejam mais bem tratadas”, afirmou o ministro.

No final de janeiro, o presidente da associação dos médicos dos idosos que estão nos lares defendeu a necessidade de ter clínicos em permanência nestas estruturas, para garantir uma vigilância e assistência regular, evitando muitas vezes o transporte para a urgência. “Concordo que os lares não são hospitais, mas é indiscutível que mais de metade dos idosos internados nos lares são doentes e têm de ter vigilância e assistência regular”, disse na altura João Gorjão Clara, que preside à AMIDI.

O responsável, que é especialista em Medicina Interna, lembrou que muitos dos idosos que vão para os lares têm várias doenças e levam a sua medicação, que muitas vezes não é ajustada com a devida regularidade e defendeu que os médicos que prestam assistência aos utentes dos lares deviam ter formação específica. “Há lares que nunca têm médico, e aí presumo que a medicação não seja ajustada, em outros o médico vai uma vez por semana e em outros duas vezes”, explicou, sublinhando que “isso não cobre as necessidades dos doentes idosos que estão nas ERPI [Estruturas Residenciais Para Idosos]”. Mais de 100.000 idosos vivem nos cerca de 3.500 lares existentes em Portugal, entre lucrativos, setor social e não legalizados.

LUSA

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