27 Jun, 2025

Ministra da Saúde recusa sair após morte associada a atraso no INEM

Ana Paula Martins garante que a morte em Pombal “não teve relação com a greve” do INEM e afirma estar disponível para responder no Parlamento.

Ministra da Saúde recusa sair após morte associada a atraso no INEM

A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, afirmou esta quarta-feira que não se demitirá, garantindo que não houve relação entre a morte de um homem em Pombal e a greve do INEM, apesar de a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) ter concluído que o óbito poderia ter sido evitado com socorro atempado.

“Uma coisa é certa, nunca fugirei às minhas responsabilidades de natureza política, mas o que hoje aqui está em causa, através de um relatório que é o espaço certo para se fazer esta avaliação, é que não houve, repito, não houve nenhuma relação entre a infeliz ocorrência e a greve do INEM”, declarou a ministra, à margem da tomada de posse do novo bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes.

A ministra reagia assim às críticas e pedidos de explicações vindos de vários partidos. O PS e o Chega exigiram consequências políticas, enquanto a Iniciativa Liberal anunciou que vai propor a criação de uma comissão parlamentar de inquérito à gestão do INEM. O PCP também defendeu o apuramento de todas as responsabilidades, incluindo as de natureza política.

Ana Paula Martins garantiu estar “sempre disponível para responder a todas as questões que me sejam postas em qualquer circunstância” e que continuará a trabalhar sob a liderança do primeiro-ministro, Luís Montenegro.

O chefe do Governo, por sua vez, afirmou em Bruxelas que haverá “oportunidade para escrutínio político na Assembleia da República”, com a presença do Governo, relativamente às conclusões do relatório da IGAS.

O documento confirma que a morte de um homem de 53 anos, ocorrida a 4 de novembro de 2024, em Pombal, poderia ter sido evitada caso tivesse recebido socorro “num tempo mínimo e razoável”. O atraso inviabilizou a transferência da vítima por Via Verde Coronária para um hospital com capacidade de realizar uma angioplastia coronária dentro do tempo recomendado.

O Ministério da Saúde reagiu, sublinhando que a IGAS não atribui a responsabilidade do atraso à greve, mas sim ao comportamento de dois profissionais: uma técnica de emergência pré-hospitalar e um médico do CODU de Coimbra, acusados de falta de zelo e omissão grave. O INEM já anunciou a abertura de processo disciplinar à técnica envolvida.

A 4 de novembro, dia da ocorrência, decorriam duas greves em simultâneo – dos técnicos de emergência pré-hospitalar às horas extraordinárias e da administração pública. No entanto, o Governo mantém a posição de que a greve não foi a causa da falha no socorro, insistindo que a demora foi resultado de erros individuais no processo de triagem e encaminhamento.

Este é o único caso, entre os 12 analisados pela IGAS nesse mesmo dia, em que se comprovou a ligação direta entre a morte e a demora no socorro.

SO/Lusa 

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