7 Mar, 2019

Ministério garante que investiu mais de 100 milhões no Centro Hospitalar de Leiria

Ministério diz também que se registou um acréscimo superior a 100 profissionais em comparação com 2015.

Numa resposta à agência Lusa, a propósito da demissão da administração do Centro Hospitalar de Leiria, o Ministério da Saúde confirma que recebeu o pedido de demissão do presidente, indicando que os restantes membros daquele órgão se mantêm em funções.

Segundo o Governo, tem havido “reforço de investimento” ao longo da legislatura no Centro Hospitalar de Leiria, tendo sido investidos 11.195.514 euros entre 2015 e 2018.

Quanto a entradas de capital “destinado a pagamento de dívida vencida”, o centro hospitalar recebeu no final do ano passado “mais de três milhões de euros”, tendo diminuído os pagamentos em atraso de 2017 para 2018, em cerca de dois terços do total, segundo as contas apresentadas à Lusa pela tutela.

Em relação a recursos humanos, o Governo refere que em dezembro de 2018 o centro hospitalar tinha 2.073 profissionais de saúde, representando um acréscimo de 43 médicos especialistas, 14 médicos internos e 88 enfermeiros em relação ao final de 2015.

O ministério indica ainda que nos concursos para receber recém-especialistas, em 2018, o Centro Hospitalar abriu 48 vagas, mas apenas 25 foram preenchidas.

 

Presidente do Centro Hospitalar de Leiria demitiu-se

 

O presidente da administração do Centro Hospitalar de Leiria, Helder Roque, comunicou ontem aos seus colaboradores que apresentou a sua demissão à ministra da Saúde, Marta Temido, em “protesto” pela falta de recursos. Helder Roque apresentou a sua demissão à ministra no dia 28 de fevereiro e enviou uma carta a dar conhecimento a toda a estrutura do CHL.

Também hoje, a comissão parlamentar de Saúde aprovou por unanimidade um requerimento do PSD que pede a audição de Marta Temido “para dar explicações sobre a situação caótica do hospital de Leiria”.

Os deputados aprovaram também por unanimidade um requerimento do PS que pedia que fosse igualmente ouvido o conselho de administração do hospital.

Entretanto, o PSD considerou que devia também ser ouvido o Sindicato Independente dos Médicos (SIM), por ser a estrutura que tem suscitado e denunciado várias situações referentes ao hospital de Leiria. Em contraponto, o PS entendeu que, se iria ser ouvido o Sindicato Independente dos Médicos, devia também ser chamada a Ordem dos Médicos para uma audição.

Já ao final da tarde, o presidente da Câmara de Leiria, Raul Castro, afirmou, após uma reunião em Lisboa com Marta Temido, que o centro hospitalar vai ser alvo de uma avaliação, por parte do Ministério da Saúde, com o objetivo de perceber os problemas existentes e avançar com as “decisões adequadas” para os resolver.

De acordo com o autarca, a ministra “assumiu o interesse em fazer uma análise um pouco mais profunda àquilo que está a acontecer”, para perceber as causas dos problemas que afetam a unidade hospitalar e “tentar, a partir daí, arranjar soluções adequadas”.

Na perspetiva de Raul Castro, o grande desafio que tem sido colocado à unidade está relacionado com a esfera territorial, já que em 2011 passou a acolher o município de Pombal e em 2013 acolheu os concelhos de Nazaré e Alcobaça: houve “um compromisso de ampliar os recursos para dar resposta aos utentes destes concelhos, mas que não se verificou”, referiu.

Apesar do problema de recursos, “o centro hospitalar não deixou de continuar a prestar um bom serviço” com essas mudanças, assegurou, indicando que a situação se alterou com a entrada do concelho de Ourém, distrito de Santarém, em 2016, na esfera do centro hospitalar, já que o concelho tem muitos lares de terceira idade.

Além disso, indicou, há um problema de “excesso de pessoas que caem nas urgências, onde cerca de 40% são situações que não deviam estar ali, podiam ser resolvidas noutros lados”.

LUSA

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