Médicos estão “fartos” e há ameaças de demissões eminentes em mais três hospitais

Em causa estão três hospitais de grande dimensão: Vila Nova de Gaia, Vila Real e Faro. Problemas sentir-se-ão com mais intensidade nos respetivos serviços de Obstetrícia. ARS do Norte desmente.

Depois de os chefes da equipa de obstetrícia do Hospital Amadora-Sintra terem ameaçado apresentar a demissão, na passada quarta-feira, por causa das falta de condições da urgência, agora a contestação pode repetir-se noutras unidades de saúde um pouco por todo o país. Segundo a edição do JN de hoje, os hospitais de Vila Real, Vila Nova de Gaia e Faro poderão enfrentar uma situação semelhante a breve prazo, uma vez que estas três unidades estão a funcionar para lá do seu limite.

“Nos primeiros quatro meses do ano, centenas de clínicos já ultrapassaram as 200 horas extraordinárias previstas para um ano”, denuncia o presidente do Sindicato Independente dos Médicos (SIM). “Os médicos estão fartos de que os seus lamentos caiam em saco rota”, alerta Roque da Cunha, que diz que o “efeito dominó” era esperado porque “os médicos estão no limite”.

“Vila Real tem uma carência de capital humano muito grande e Obstetrícia é uma das áreas onde isso se sente. Recorrem a horas extraordinárias umas atrás das outras, já para não falar do recurso a serviços externos”, diz o bastonário da Ordem dos Médicos. Miguel Guimarães garante que a situação vivida no Amadora-Sintra “é transversal a muitos hospitais”, acrescentando que “a Ordem apoia incondicionalmente os pedidos de demissão destes profissionais, que estão a dar um grito de revolta”.

Também o Hospital de Vila Nova de Gaia enfrenta carência na área de Obstetrícia e noutros setores, segundo o bastonário. A mesma situação também ocorre em Faro, com Miguel Guimarães a retratar “um cenário muito difícil ,com poucos especialistas” e um recurso excessivo a médicos internos.

 

ARS do Norte desmente 

 

Confrontada com a notícia de que alguns médicos poderiam apresentar a demissão, a Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte emitiu já um comunicado em que nega que isso possa acontecer. A ARS do Norte afirma que “procurou inteirar-se do motivo pelo qual, a ser verdade tal notícia, levaria os médicos visados a tomar tal decisão” e recebeu a garantia, por parte do Diretor do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia de Vila Real de que a informação “é completamente irreal”. Aliás, a ARS garante que aquele serviço “tem vindo a ser reforçado com profissionais médicos nos últimos anos”.

No que diz respeito ao hospital de Gaia, a ARS diz, igualmente, não ter conhecimento de intenções de demissão.

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