22 Fev, 2022

Médicos de família debatem vantagens do uso dos canabinoides na dor crónica

“A maior aplicabilidade deste tipo de produtos é nos casos de doentes que não toleram as doses necessárias de outros tipos de medicação ou aqueles que não estão controlados", explica Hugo Cordeiro, do Grupo de Estudos de Dor da APMGF.

Médicos de família vão debater na terça-feira as vantagens do uso dos canabinoides no tratamento da dor crónica, que afeta um em cada três adultos em Portugal, e sensibilizar os profissionais de saúde para esta terapêutica.

Promovido pela Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), a reunião em formato ‘online’, com o tema “Canabinoides na dor crónica – mitos, factos e opções terapêuticas”, é destinada a médicos de família.

“Os canabinoides para fins medicinais é uma novidade em Portugal e, portanto, espera-se que este seja o primeiro de vários eventos que visam difundir as indicações, os riscos e os benefícios” destes derivados da canábis, disse hoje à agência Lusa Hugo Cordeiro, médico na Santa Casa da Misericórdia do Porto e membro do Grupo de Estudos de Dor da APMGF.

Neste momento, explicou, “a maior aplicabilidade deste tipo de produtos é nos casos de doentes que não toleram as doses necessárias de outros tipos de medicação ou aqueles que não estão controlados, apesar do uso das doses máximas desse tipo de medicação”.

“Alguns estudos mostram que canabinoides permitem inclusivamente reduzir as doses de outros tipos de substâncias também elas com efeitos secundários importantes e ao mesmo tempo permitem melhorar a qualidade de vida” dos utentes, salientou.

Questionado se ainda existem barreiras à toma desta substância, o médico disse que, nesta fase, “as maiores barreiras” serão da parte dos profissionais de saúde por “desconhecimento” ou “pouca divulgação”.

“O que vemos no terreno é que já começa a haver curiosidade da parte de doentes e familiares, que muitas vezes são os primeiros a inquirir os profissionais de saúde sobre a possibilidade do uso deste tipo de substâncias”, disse Hugo Cordeiro.

Para o coordenador do Grupo de Estudo da Dor da APMG, Raul Marques Pereira, “a maior” limitação ao uso desta substância será o preço, apesar de ter alguma comparticipação.

Sobre as vantagens do seu uso, Raul Marques Pereira afirmou que “o fármaco já tem muitas provas dadas lá fora”, havendo por isso “muita segurança” na sua utilização.

No seu entender, “seria importante conseguir utilizá-lo mais”, o que passa por elucidar os médicos sobre dúvidas que possam existir e as melhores situações clínicas para o utilizar na dor refratária.

Em Portugal, um em cada três adultos tem dor crónica. “Claro que nem todos vão precisar dos canabinoides, mas há uma percentagem que vai precisar”, adiantou Raul Marques Pereira.

Por ser um grupo “muito alargado” de doentes que pode beneficiar deste tipo de terapêutica, “é muito importante” expor e discutir esta terapêutica em conjunto, salientou.

Para o médico Hugo Cordeiro, o mais importante será desmistificar os perigos associados a estas substâncias: “Ter noção que são produtos que foram alvo de um extenso estudo de segurança e de qualidade e continuarão a sê-lo após a sua introdução no mercado e inclusivamente estão associados a menos efeitos secundários do que algumas das substâncias que já são utilizadas atualmente.

Atualmente, existe apenas uma opção terapêutica através do uso de um vaporizador, aprovada pelo Infarmed, mas haverá outros produtos a surgir no mercado em breve, avançou o especialista.

“O uso de canabinoides pode ajudar na poupança de opioides e apresenta uma relação risco-benefício favorável, quando usados segundo as prescrições e segundo as indicações corretas”, acrescentou.

LUSA

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