A decisão de alguns centros hospitalares de proibir a entrada de estudantes de Medicina e o acesso a aulas práticas merece a “veemente reprovação” do Conselho de Escolas Médicas Portuguesas (CEMP), que entende que está comprometida a formação.

“É fundamental, sobretudo neste momento, garantir a formação adequada dos futuros médicos, o que implica, naturalmente, a existência de aulas práticas presenciais, com contacto com doente, elemento indispensável à formação médica. A sua interdição pode implicar estarmos a comprometer a formação dos futuros médicos, com consequências imprevisíveis na saúde dos portugueses”, defende o CEMP em comunicado hoje divulgado.

No mesmo documento apelam às administrações hospitalares para que revertam a decisão e colaborem com as escolas médicas na formação dos futuros clínicos “de forma adequada e ajustada àquilo que são as exigências da formação rigorosa dum médico, a fim de não comprometer a mesma”, algo que deve ser “considerado como um objetivo do máximo interesse nacional”.

As escolas médicas dizem ter sido “com manifesta preocupação” que constaram a decisão de alguns hospitais no sentido de impedir a presença de estudantes de Medicina nas suas instalações, sublinhando que os planos de contingência delineados para cada escola têm permitido o seu funcionamento “de forma segura”, com um número de casos confirmado “residual”.

No comunicado, recordam o investimento avultado feito pelas escolas médicas em material de proteção individual para garantir “garantir as condições de segurança para a presença dos alunos em ambiente de contacto com doentes, à semelhança do que é exigido aos profissionais de saúde”.

“A situação pandémica que vivemos constitui uma oportunidade única para os estudantes poderem contactar com uma realidade para o qual se deverão preparar, sendo um verdadeiro modelo educacional ímpar, que deverá ser aproveitado ao máximo, pois permitirá uma preparação mais adequada das futuras gerações de médicos para lidarem, no futuro, com situações idênticas. É incompreensível, para nós, desperdiçarmos esta oportunidade de podermos ensinar de forma mais adequada os nossos alunos, futuros médicos”, defende o CEMP.

As escolas médicas recordam ainda que os alunos de 6.º ano do curso de Medicina integrados em equipas médicas a tratar doentes covid a nível nacional e internacional têm tido sucesso reconhecido, estando comprovada uma taxa residual de contaminação dos estudantes, “o que atesta o sentido de responsabilidade dos mesmos e do seu comportamento irrepreensível”.

SO/LUSA

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