Máscara. Médicos de saúde pública acusam governo de “deitar ao lixo” plano traçado

Governo cedeu à "contestação e ruído", diz presidente da Associação de Médicos de Saúde Pública, alertando que falta “cumprir” o indicador de 20 óbitos por um milhão de habitantes.

O presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública (ANMSP) lamenta que o Governo se tenha desviado do plano inicial de alívio das medidas “devido à contestação” à obrigatoriedade do uso de máscaras.

“Havia um plano traçado pelo grupo técnico liderado pela professora Raquel Duarte que definiu indicadores para se levantar em segurança o uso obrigatório de máscara e o Governo, devido à contestação e ao ruído, acaba por antecipar e deitar para o lixo este plano”, disse à Lusa o médico de saúde pública Gustavo Tato Borges.

Em conferência de imprensa, a ministra da Presidência assegurou que o Governo ouviu os peritos antes de tomar a decisão de acabar com o uso generalizado das máscaras, recusando ter sido alvo de pressões, designadamente por parte dos agentes da educação.

Esta posição foi transmitida por Mariana Vieira da Silva no final da reunião de hoje do Conselho de Ministros, depois de confrontada com os protestos de vários setores sociais, em especial os da área da educação, para acabar com o uso obrigatório de máscaras nas escolas.

Com a decisão hoje tomada, as máscaras para proteção contra a covid-19 apenas são obrigatórias em locais frequentados por pessoas especialmente vulneráveis, como hospitais e lares, ou nos transportes públicos.

Segundo Gustavo Tato Borges, o fim da obrigatoriedade do uso de máscara foi decidido hoje em Conselho de Ministros quando “faltava cumprir” o indicador de 20 óbitos por um milhão de habitantes a 14 dias, o que permitiria levantar essa restrição “com mais segurança”.

Segundo o Governo, Portugal regista uma mortalidade por covid-19 de 27,9 óbitos por um milhão de habitantes a 14 dias, superior ao limiar de 20 mortes definido pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC) e que era uma das referências para o país passar para um nível sem restrições de controlo da pandemia.

“A decisão está tomada. Esperemos que não haja aumento muito grande de casos”, referiu o presidente da ANMSP, ao salientar que as “pessoas continuam com a liberdade de poder usar a máscara sempre que acharem que é a melhor proteção para si e para a sociedade”.

Gustavo Tato Borges defendeu ainda que o fim do uso obrigatório da máscara “deveria ter sido mais sequencial”, começando pelos locais onde a doença “não causa tantos problemas”, como as escolas, e avançando depois para os restantes espaços de uma forma gradual.

Sobre a administração de uma nova dose de reforço contra a covid-19, o presidente da ANMSP considerou que “faz sentido uma vacinação conjunta da gripe e da covid-19 para os grupos mais vulneráveis” antes do próximo inverno, para que “estejam mais protegidos nas alturas de maior incidência da doença”.

“A partir de agora, faz mais sentido que a vacinação seja dada apenas aos grupos de risco e aos vulneráveis. Não há evidência (prova) de que vacinar regularmente toda a população possa trazer mais benefícios”, adiantou o médico.

Segundo a ministra da Saúde, Marta Temido, as autoridades de saúde estão a preparar a administração de uma nova dose de reforço da vacina contra a covid-19 antes do período de outono e inverno.

SO/LUSA

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