11 Out, 2018

Marcelo pede mais atenção e mais investimento orçamental na saúde mental

No âmbito do Dia Mundial da Saúde Mental, assinalado na quarta-feira, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, apelou aos portugueses e aos políticos para que olhem mais para a saúde mental e defendeu que deve haver maior investimento orçamental neste domínio.

“Não estou a pensar no Orçamento [do Estado para 2019] que está praticamente feito – também é importante que, de orçamento para orçamento, se aumente o investimento em saúde mental, é importante -, mas estou sobretudo a pensar nos orçamentos dos anos futuros”, ressalvou.

No Dia Mundial da Saúde Mental, Marcelo Rebelo de Sousa visitou Unidade de Pedopsiquiatria do Hospital Fernando Fonseca, que acompanhou, no último ano, cerca de 600 crianças e jovens, e lançou “um apelo duplo”, declarando que “Portugal não pode continuar a ser dos países nomeadamente da Europa com piores indicadores” nesta matéria.

“O primeiro apelo é aos políticos, todos eles, deste momento e do futuro: que olhem mais para a saúde mental. Eu sei que os recursos são escassos e que há muitos desafios no domínio da saúde, mas a saúde mental é fundamental. É fundamental e quanto mais cedo se começar melhores são os resultados obtidos”, afirmou.

“O segundo apelo é às portuguesas e aos portugueses, porque naturalmente que os políticos darão maior importância se os portugueses derem maior importância”, completou, considerando que “muitas vezes não pensam na saúde mental, acham que não é importante”.

O Presidente da República referiu que “não há uma família portuguesa que não tenha um ou vários problemas de saúde mental, nos mais novos ou nos menos jovens” e encorajou a população a “enfrentar e admitir isto, não ter vergonha de admitir”, com mais movimentos e maior exigência neste domínio. “Eu acho que isto é uma ação de cultura cívica, que já começou, mas que tem sido ainda muito lenta. Precisa de ser mais rápida”, acrescentou.

Marcelo Rebelo de Sousa disse que “um de cada cinco adolescentes tem problemas de saúde mental” e que se não houver uma mudança “haverá cada vez mais crianças e cada vez mais jovens que só são acompanhados tarde de mais”.

“Haverá mais casos na população adulta. E, numa outra faixa, haverá mais casos de pessoas que vivem mais tempo com problemas de saúde mental, com as famílias a não saberem o que fazer nem como fazer e a não haver estruturas de acolhimento e de acompanhamento”, alertou.

Interrogado, depois, se espera um aumento de verbas no próximo Orçamento do Estado, respondeu que estava “sobretudo a pensar nos orçamentos dos anos futuros”. Questionado se é a favor de uma reestruturação do sistema, contrapôs: “Não. Eu defendo, primeiro, que as pessoas tenham consciência do problema. Em segundo lugar, que, portanto, haja maior investimento neste desafio”.

“Em terceiro lugar, que haja uma multiplicação de experiências como esta, que se vão multiplicando, com a colaboração de todos, do Estado, dos municípios, das instituições da sociedade civil, das escolas também, das famílias e da comunidade em geral. Tem de haver. Quanto mais tarde nós olharmos para isto, pior”, advertiu.

LUSA/SO

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