Mais de metade dos países não cumpre meta de redução da mortalidade precoce

Mais de metade dos países do mundo não vai cumprir a meta de redução da mortalidade precoce por doenças não transmissíveis prevista para 2030, estimam organizações da sociedade civil a nível internacional.

A Aliança das Doenças Não Transmissíveis, da qual faz parte a associação portuguesa dos doentes diabéticos, lamenta os objetivos “vagos e pouco ambiciosos” da declaração política a ser adotada hoje na reunião das Nações Unidas para a prevenção e controlo das doenças transmissíveis.

“A manter-se a situação atual, mais de metade dos países de todo o mundo não vai conseguir alcançar a meta” de redução da mortalidade precoce (antes dos 70 anos). O objetivo é diminuir em um terço a taxa de mortalidade precoce por doenças não transmissíveis até 2030.

A Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP) é a única organização da sociedade civil portuguesa a participar hoje na reunião de alto nível das Nações Unidas para prevenir e controlar as doenças não transmissíveis.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da APDP indicou que os países deviam “ter ido mais longe” nos objetivos a traçar nesta declaração política, tendo sido essa a recomendação da Aliança das Doenças Não Transmissíveis. Contudo, João Boavida considera que a declaração é “apenas genérica e de intenções”, sem concretização de medidas.

“Os estados membros não podem continuar a ignorar a ameaça séria que as doenças não transmissíveis representam para a sobrevivência e bem-estar de milhões de pessoas em todo o mundo”, indica a declaração emitida pela Aliança das Doenças Não Transmissíveis, a que a agência Lusa teve acesso.

Esta Aliança, em conjunto com organizações da sociedade civil de vários países, considera que os líderes mundiais estão a negligenciar o investimento nas doenças não transmissíveis.

“A declaração [política a assinar pelas Nações Unidas] é omissa em relação à aplicação de taxas, regulação e legislação, o que evidencia a influência das indústrias produtoras de bens de consumo que prejudicam a saúde”, exemplifica a Aliança.

Da parte da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal, João Boavida considera que “continua a haver uma grande dificuldade de as Nações Unidas tomarem uma posição clara para chegar aos objetivos que estão traçados”.

Entre esses objetivos está a redução da mortalidade precoce – antes dos 70 anos –, meta que deve ser alcançada através da prevenção e controlo de doenças não transmissíveis, como as doenças cerebrocardiovasculares, o cancro ou a diabetes.

João Boavida lembra que era fundamental traçar na declaração objetivos para que os países trabalhassem em conjunto para reduzir os custos dos medicamentos e aumentar ou melhorar a acessibilidade aos tratamentos.

“Há novos fármacos [para as várias doenças não transmissíveis] a preços obscenos e vão corresponder a uma enorme pressão sobre os serviços de saúde e vão criar desigualdades de acesso”, sublinhou.

LUSA

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