5 Abr, 2022

Mais de 30% das mulheres com obesidade tem dificuldade em engravidar

A ginecologista alerta para os riscos do excesso de peso e da obesidade na gravidez. Por exemplo, o risco de complicações obstétricas é três vezes maior.

O risco de complicações obstétricas é três vezes maior em mulheres obesas e aumentam para o dobro as taxas de aborto, o risco de morte fetal e os partos prematuros em comparação com as mulheres que têm um peso considerado normal, alerta a médica ginecologista Catarina Godinho. A especialista reforça que o peso a mais não só pode levar a complicações acrescidas na gravidez, como a problemas de infertilidade. Além disso, tem impacto na saúde dos filhos.

“Sabe-se hoje que a obesidade está relacionada com a diabetes, síndrome do ovário poliquístico, contribui para irregularidades menstruais, anovulação, aborto espontâneo, hipertensão na gravidez, assim como com alterações do crescimento intrauterino e parto pré-termo. Daí que seja recomendável a perda de peso antes de engravidar”, sublinha a Dra. Catarina Godinho, especialista em medicina de reprodução na Clínica IVI Lisboa.

Para melhorar o prognóstico reprodutivo destas mulheres, a médica recomenda que as mulheres engravidem com o peso mais o próximo possível do seu peso ideal, uma vez que 30 a 40% das mulheres com obesidade tem dificuldade em engravidar. “É possível reverter um quadro de infertilidade se as futuras mães iniciarem um plano de redução de peso e modificarem hábitos alimentares que possam ser prejudiciais. Além do acompanhamento por um ginecologista devem procurar apoio junto de um especialista em nutrição e realizar exercício físico acompanhado por um treinador físico”, explica. E acrescenta que há estudos que demonstram que o exercício moderado tanto da mulher, como do homem melhora os resultados dos tratamentos de reprodução assistida.

Tendo em conta que, na maioria dos países europeus, e segundo dados da Organização Mundial da Saúde, cerca de 60% dos adultos está acima do peso ou são obesos, e que a obesidade constitui um gatilho para muitas doenças, onde se inclui a infertilidade, é expectável que cada vez mais mulheres venham a ter problemas de infertilidade.

Além disso, a médica lembra ainda que o excesso de peso e a obesidade não têm apenas tem consequências para as mães, mas também afetam a sua descendência. “O ambiente onde se desenvolve o feto condiciona seu desenvolvimento e a sua vida futura. Os filhos de mães com excesso de peso têm 40% mais probabilidade de vir a sofrer de obesidade e doenças associadas, das quais se destaca a diabetes e problemas cardiovasculares”.

COMUNICADO

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