Lista de espera para cirurgia oncológica agravou-se no SNS em 2025
O tempo máximo de resposta garantido (TMRG) para cirurgia oncológica foi ultrapassado em 21,2% dos casos, representando um agravamento de quatro pontos percentuais face a 2024.

A lista de espera para cirurgia oncológica no Serviço Nacional de Saúde (SNS) agravou-se no segundo semestre de 2025, com 8.215 utentes a aguardar intervenção cirúrgica no final de dezembro, mais 9% do que no mesmo período de 2024. Os dados constam da mais recente monitorização divulgada pela Entidade Reguladora da Saúde (ERS), que aponta igualmente para um aumento no número de doentes em espera para primeiras consultas e cirurgias nas áreas da oncologia e cardiologia.
Segundo o regulador, o tempo máximo de resposta garantido (TMRG) para cirurgia oncológica foi ultrapassado em 21,2% dos casos, representando um agravamento de quatro pontos percentuais face a 2024. A ERS atribui esta evolução ao maior incumprimento nos casos classificados como “prioritários” e “normais”. No final de dezembro de 2025, havia também 8.874 utentes em espera para primeira consulta por suspeita ou confirmação de doença oncológica, mais 3% do que no ano anterior. Apesar do aumento da procura, a percentagem de casos que ultrapassaram o TMRG baixou para 65,5%, menos 13,1 pontos percentuais.
Na área da Cardiologia, os números mostram igualmente um agravamento das listas de espera. O número de utentes à espera de primeira consulta subiu 8,4%, totalizando 28.234 pessoas. Em 74,9% dos casos, os tempos máximos de resposta já tinham sido ultrapassados, embora este indicador tenha melhorado 11 pontos percentuais face ao segundo semestre de 2024. Quanto às cirurgias de Cardiologia, estavam em espera 2.703 utentes, mais 39,5% do que no ano anterior. Destes, 58,6% aguardavam há mais tempo do que o legalmente recomendado.
Os dados da ERS revelam ainda que, no conjunto das restantes especialidades hospitalares, excluindo Oncologia e Cardiologia, existiam mais de um milhão de utentes em espera para primeira consulta no final de dezembro de 2025. Ao todo, eram 1.056.223 pessoas, um aumento de 17% face ao mesmo período de 2024.
Apesar do aumento das listas de espera, verificou-se uma redução na percentagem de incumprimento dos tempos máximos de resposta, embora 43,7% dos utentes continuassem além do prazo recomendado. Na atividade cirúrgica das restantes especialidades, 189.444 utentes aguardavam cirurgia, menos 0,6% do que em 2024. Ainda assim, 16,3% já tinham ultrapassado o tempo máximo de resposta garantido.
O relatório mostra também um aumento generalizado do número de primeiras consultas realizadas nos hospitais públicos, acompanhado por uma diminuição da atividade cirúrgica. Na Oncologia, foram realizadas 20.977 primeiras consultas no segundo semestre de 2025, mais 2,8% do que no mesmo período do ano anterior. Já o número de cirurgias oncológicas caiu 3%, fixando-se nas 34.771 intervenções.
Também na Cardiologia se registou uma redução da atividade cirúrgica, com menos 4,9% de cirurgias realizadas, num total de 4.508 procedimentos. Segundo a ERS, apesar de alguns indicadores mostrarem melhorias nos níveis de incumprimento dos tempos máximos de resposta, persistem dificuldades no acesso atempado aos cuidados hospitalares no SNS, sobretudo nas áreas de maior pressão assistencial.
SO/LUSA
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