29 Mai, 2017

IPO de Lisboa altera transporte de doentes para diminuir despesa

Para tentar diminuir a despesa que nos últimos cinco anos atingiu os sete milhões de euros em 2016, o Instituto Português de Oncologia (IPO) vai mudar a forma de marcar o transporte de doentes

Em entrevista à agência Lusa, o presidente do conselho de administração do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa, Francisco Ramos, adiantou que, a partir de quinta-feira, o sistema de marcações de transporte vai ser reorganizado e será montada uma central no IPO, onde um conjunto de pessoas irá gerir os transportes, “sem retirar naturalmente algum direito às pessoas”.

“Aquilo que muda essencialmente é que as marcações passam a ser feitas pelo IPO e não pelas próprias pessoas [doentes]”, acrescentou.

Com esta medida, o IPO pretende uma certa racionalização e algum agrupamento de transporte de pessoas.

Segundo o responsável, uma das principais mudanças será a partilha do mesmo transporte, por pessoas que vem da mesma localização, “sem nenhum incómodo para as pessoas e naturalmente com uma poupança evidente para o IPO”.

“Tentaremos fazer agrupamentos com o máximo de racionalidade possível, claramente com preocupações de eficiência, para tentar obter poupanças sem prejudicar as pessoas. No fundo tentar gerir melhor esta situação para podermos melhorar o equilíbrio económico e financeiro do IPO que, como é conhecido, tem pressões com outras prestações, medicamentos, radioterapia”, reforçou.

Segundo Francisco Ramos, há cerca de cinco anos a despesa em apoio a transporte de doentes era da ordem dos três milhões de euros.

“Em 2016 atingiu os sete milhões de euros, praticamente duplicou, e é uma verba já muito avultada e que causa problemas ao equilíbrio orçamental”, disse o administrador.

Este aumento decorre de “uma alteração legislativa que introduziu uma série de restrições ao apoio do transporte de doentes, mas no caso da oncologia alargou a todos os doentes”.

Segundo Francisco Ramos, o impacto não foi imediato, mas tem-se vindo a verificar todos os anos um crescimento elevado.

Isto quer dizer que, “com muita frequência, temos veículos de transporte de doentes praticamente de todos os concelhos abaixo do Mondego nas instalações do IPO”.

Até agora, e quando o doente tem na sua posse uma declaração médica que atesta o seu direito a esse apoio ao transporte, era este que realizava a marcação e o agendamento.

Para Francisco Ramos, o sistema tem-se mostrado pouco eficiente e a despesa nesta área refere-se, na maioria, aos bombeiros e “a pouquíssimas empresas de transporte de doentes”.

Ainda sem estimativas do volume de poupança que a nova medida poderá gerar, de acordo com Francisco Ramos, um valor na ordem dos 10% (700 mil euros por ano) já era bem-vindo.

“Esta é uma alteração que visa poupar dinheiro sem prejudicar o direito dos doentes de verem o seu transporte comparticipados”, concluiu.

LUSA/SO/CS

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