20 Dez, 2021

Internamentos por Covid-19 em UCI quase duplicaram num mês

No entanto, os internamentos ainda não atingiram metade do limite definido pelo governo, que é de 287 doentes em cuidados intensivos.

Os internamentos por covid-19 em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI) quase duplicaram no último mês e vão a meio do limite definido para a linha vermelha, que se situa nos 287 doentes, segundo dados divulgados pelo Governo.

De acordo com os números divulgados pela ministra da Saúde na conferência de imprensa sobre a situação epidemiológica da covid-19 em Portugal, estavam internados 76 doentes em UCI na semana de 08 a 14 de novembro, um valor que subiu para 144 doentes na semana de 06 a 12 de dezembro.

No documento que serviu de suporte às declarações da ministra Marta Temido mostra ainda que a linha vermelha para UCI é atingida com o internamento de 287 doentes ou mais.

Questionada sobre o peso da nova variante Ómicron nas hospitalizações e nos internamentos em cuidados intensivos, a ministra Marta Temido remeteu mais informação para as unidades hospitalares.

Na conferência de imprensa, o investigador Baltazar Nunes, do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), reconheceu que “a expressão em aumento de hospitalizações [da nova variante] ainda é uma grande incógnita” e que vai depender essencialmente de dois fatores: da maior ou menor gravidade da infeção e da efetividade das vacinas contra doença grave.

Segundo disse, “ao que tudo indica”, a gravidade da infeção pela variante Ómicron “será igual ou menor em relação à Delta”.

É sobre esta efetividade, aliás, que os investigadores têm mais dúvidas, desde logo porque “os estudos são muito recentes e com grande incerteza”.

Nesse sentido, sublinhou, “um indicador que vai ser muito importante” é o das pessoas com mais de 70 anos, que já têm a dose de reforço da vacina.

“Se a incidência aumentar neste grupo, há pouco reforçado, será sinal de que a vacina não está a ter o impacto desejado”, assinala o investigador.

João Paulo Gomes, também investigador do INSA, realçou, por seu lado, uma certeza: “Os testes são eficazes para esta variante”.

Nas intervenção inicial, a ministra disse que as estimativas do INSA apontam para uma duplicação de casos da variante Ómicron a cada dois dias, sublinhando a “aparente menor gravidade da doença e consequente (menor) letalidade e a aparente diminuição da efetividade vacinal após o esquema primário conta a infeção”.

“Sendo a efetividade vacinal contra infeção sintomática após reforço vacinal estimada em 70 a 75%, as vacinas ainda têm o seu efeito protetor”, disse a ministra, apelando à vacinação.

Marta Temido sublinhou a incerteza sobre o comportamento desta nova variante do coronavírus e afirmou que “os próximos dias serão decisivos para perceber o impacto da variante Ómicron do coronavírus SARS-CoV-2 e da “resposta proporcional” aplicada com as medidas definidas pelo Governo.

“O que sabemos é que, se a variante se transmite mais, cada um tem de fazer mais. Mais uso de máscara, mais testes, mais vacinação e mais controlo de fronteiras. Todos temos de estar preparados para fazer mais”, afirmou.

A ministra frisou ainda que numa situação de subida de casos, mesmo que com menor gravidade, subirá também o volume de pessoas a precisar de internamento e os eventuais óbitos. “Neste contexto de incerteza, precisamos de cumprir com as lições aprendidas”, insistiu.

Revelou ainda que as estimativas da presença da variante Ómicron em Portugal indicam já uma prevalência de 20%, que poderá subir para 50% na semana do Natal e 80% no final do ano, mas o dispositivo apresentado refere uma percentagem de 90% no final do ano.

Tendo em conta a evolução da disseminação da variante Ómicron, a ministra apelou também aos portugueses para que evitem contactos sociais em espaços aglomerados e que cumpram o uso da máscara e o arejamento dos espaços.

LUSA

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