10 Mai, 2022

Inoperacionalidade das VMER atinge valor mais elevado desde 2014

Os maiores problemas registam-se no interior do país, onde é maior a carência de médicos para garantir o funcionamento das VMER.

As viaturas médicas de emergência e reanimação (VMER) do INEM estiveram, em 2021, 5400 horas paradas por falta de tripulação. Com este novo aumento, a taxa de inoperacionalidade aumentou para 1,8%, o pior registo de 2014, avança o Jornal de Notícias.

Os maiores problemas registam-se no interior do país, onde, segundo os dados citados pelo JN, cerca de 20% do território esteve sem VMER durante mais de três mil horas no ano passado. Exemplo disso são as VMER dos hospitais da Guarda, Covilhã, Castelo Branco e Portalegre, que estiveram um total de 3254 horas inoperacionais. Se é verdade que se tratam de distritos com baixa densidade populacional, não é menos verdade que abarcam grandes áreas de território, com poucos serviços de saúde e em que muita população envelhecida se encontra, muitas vezes, a dezenas de quilómetros do hospital mais próximo.

“Nesta vasta área do interior, as distâncias são muito maiores. Se estes doentes não tê acesso a suporte avançado de vida, e têm de fazer longas viagens até ao hospital, claramente que se confrontam com falta de socorro adequado”, diz o presidente do Colégio da Competência de Emergência Médica da Ordem dos Médicos, Vítor Almeida. Contudo, também existem VMER no litoral com uma taxa de inoperacionalidade elevada – 6,49% no caso do Hospital de Gaia, por exemplo.

Em 2021, dezembro foi o pior mês. A VMER da Guarda esteve, por exemplo, inoperacional mais de um terço deste mês, cerca de 12 dias. Desde 2014, que são as próprias administrações hospitalares as responsáveis por garantir a operacionalidade das VMER.  São conhecidas as dificuldades dos hospitais, a quem cabe a responsabilidade de garantir escalas para as tripulações da VMER, na contratação de profissionais de saúde, constrangimentos que se têm agravado com a “carência de médicos e enfermeiros com formação na área”, diz a Associação Nacional dos Técnicos de Emergências Médica (ANTEM).

A verdade é que, desde esse ano, que não se registava uma taxa de inoperacionalidade das VMER tão alta. Em 2021, foi de 1,8%, um aumento considerável em relação ao ano anterior (de 0,9%) e o valor mais elevado desde 2014, devido à falta de médicos para preencher as escalas das VMER. “Conscientes que não podemos ter um médico para cada paciente, consideramos que podemos e devemos ter operacionais o mais diferenciados possível na prestação dos cuidados de emergência médica pré-hospitalar — à semelhança de outros países”, considera a ANTEM.

SO/LUSA

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