17 Mar, 2022

Infeções respiratórias fazem aumentar afluência às urgências

Têm-se registado, todos os dias, mais de mil casos de infeção respiratória nas urgências hospitalares. Gripe voltou a circular com alguma intensidade.

A afluência às urgências hospitalares tem vindo a subir desde o início do mês de março, refletindo o novo aumento das infeções por SARS-CoV-2 (cuja verdadeira dimensão só será conhecida no relatório divulgado esta sexta-feira) e o recrudescimento da gripe e de outras infeções respiratórias. A informação é avançada esta quinta-feira pelo jornal i.

Segundo os dados de monitorização do Ministério da Saúde, em média, no mês de março, mais de 20 mil pessoas recorreram todos os dias às urgências hospitalares, sendo que uma parte substancial apresentava queixas respiratórias. Tem havido mais de mil casos diagnosticados nas urgências como episódios de infeção respiratória, o que já não acontecia desde a época gripal de 2019-2020.

O Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central (CHULC) tem registado um aumento nas urgências do circuito respiratório, com cerca de 50 a 60 casos por dia, sendo cerca de cinco, em média, casos de covid-19. “Os restantes são atribuídos essencialmente a gripe ou a gripe A”, disse à Lusa fonte do CHULC, sublinhando que é um número considerado alto para esta época do ano.

O centro hospitalar, que inclui os hospitais São José, Curry Cabral, Santa Marta, Capuchos, D. Estefânia e Maternidade Alfredo da Costa, está também a registar “um recrudescimento de entradas nas urgências em geral”, adiantou a mesma fonte.

Em 14 de março, o CHULC registou nas urgências um total de 866 casos, enquanto em 07 de março, tinha contabilizado 785 casos, em 28 de fevereiro, 781 e em 21 do mesmo mês, 719.

“Tem havido uma subida constante destes números, sendo que uma parte substancial diz respeito ao agravamento das doenças respiratórias”, afirmou a mesma fonte, sublinhando que “a gripe está a subir e a covid-19 a baixar”.

A procura da urgência pediátrica no Hospital D. Estefânia, também está “a subir substancialmente” devido em grande parte à gripe. Em 21 de fevereiro foram registados 282 casos, número que subiu para 358 na segunda-feira.

O Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN), que inclui os hospitais Santa Maria e Pulido Valente, também registou este mês um aumento da afluência às várias urgências (adultos, pediatria, ginecologia-obstetrícia e para doenças respiratórias), com uma média de 600 a 700 episódios diários.

No que respeita à procura da urgência para doentes respiratórios, o CHULN observou desde o início de março, uma média de 50 a 70 casos diários, quando na última quinzena de fevereiro, essa média diária tinha variado entre os 30 a 40 casos, segundo dados avançados à Lusa.

“No entanto, é de sublinhar que chegamos a ter entre 130 e 150 casos diários na última semana de 2021 e primeira semana de 2022, estando ainda longe desses valores”, ressalvou o CHULN.

Em relação à Urgência Central de adultos (que não inclui as urgências de pediatria e ginecologia-obstetrícia), dedicada a todas as doenças, exceto a covid-19, o centro hospitalar referiu que “mantém o padrão comum a este inverno, com cerca de 400 a 450 casos diários e uma percentagem alta de doentes mais complexos, muitas vezes a rondar os dois terços do total de atendimentos”.

 Segundo o CHULN, são doentes que pela sua complexidade implicam diagnósticos mais diferenciados.

 O Hospital Fernando Fonseca (Amadora-Sintra) também registou um aumento de 2,4% do número de episódios respiratórios este mês face ao período homólogo de fevereiro.

Com o desconfinamento e a menor adesão ao uso da máscara, têm aumentado os casos diagnosticados de gripe. O presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública (ANMSP) fala numa “anormal disseminação” do vírus da gripe A em Portugal e o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) admite que o país poderá viver uma epidemia de gripe esta primavera. Para esta situação também estará a contribuir a menor imunidade ao vírus da gripe, em resultado da fraca exposição ao longo dos últimos dois anos.

A juntar a este cenário, acrescente-se o facto de as estirpes do vírus da gripe A dominantes este ano não estarem contempladas na vacina contra a gripe administrada este ano, o que leva o INSA a apelar aos grupos mais vulneráveis – idosos e doentes crónicos – para que evitem grandes ajuntamentos e mantenham a etiqueta respiratória.

SO

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