24 Jun, 2017

Escoliose idiopática afeta autoestima das crianças e dos adolescentes

A escoliose idiopática é uma doença da coluna vertebral que se verifica quando ocorre um desalinhamento das vertebras e que atinge entre 2 a 3% dos adolescentes. Dependendo da sua gravidade pode ter um impacto significativo na autoimagem e na qualidade de vida das crianças e adolescentes

Uma condição que tem vindo a preocupar pais e profissionais de saúde, sendo assim importante alertar e explicar a escoliose.

De acordo com Pedro Fernandes, especialista em Ortopedia no Hospital Santa Maria em Lisboa, a escoliose é apenas reconhecida quando o ângulo de Cobb é superior a 10 graus acompanhado de uma rotação horizontal das vertebras do ápex da curva, o que leva a deformidade do tórax e da “tão inestética ‘bossa’”. Assim, colocam-se de parte todos os desvios posturais, habitualmente flexíveis e sem rotação, e a maioria dos desvios escolióticos de grande raio.

Ora, aponta o especialista, “dois a três por cento dos jovens com 16 anos, apresentam escoliose com um ângulo superior a 10° e menos de 1% apresentarão escolioses superiores a 40°.

Sintomatologia

Contrariamente ao esperado, a ocorrência de dor na coluna sobrepõe-se à da população em geral sem escoliose, o que pode, em situações mais graves, comprometer parcialmente a função respiratória.

“Embora muito associada a dor dorsal ou lombar a escoliose idiopática é uma patologia relativamente silenciosa sendo o primeiro sintoma a deformidade estética do tronco, tão valorizada, que acaba por surpreender os adolescentes e os pais. É hoje bem reconhecida a forte correlação entre a deformidade do tronco e a baixa autoestima entre as crianças afetadas. Só em casos mais avançados poderá haver compromisso respiratório e por último cardíaco, sobretudo em escolioses de origem muito precoce e quando não tratadas. A incidência de dor nos adolescentes com escoliose por sua vez é sobreponível à da população em geral”, esclarece Pedro Fernandes. 

Abordagem terapêutica

De acordo com um estudo recentemente publicado, os coletes rígidos utilizados no tratamento conservador da escoliose, são decerto eficazes.

“De facto, analisando os resultados do referido estudo, houve uma diminuição significativa das crianças a necessitarem de cirurgia quando o colete era utilizado num mínimo de 12 horas por dia. Esta informação, sendo extremamente útil coloca, contudo, um novo desafio que é o de selecionar o candidato ideal para a sua utilização, tendo em conta a dimensão da curva e o estádio de maturidade esquelética dos Jovens, sob pena de cairmos num excesso de utilização do colete sem qualquer indicação”, explicou.

Em casos mais graves, como por exemplo, em pessoas com ângulo de Cobb superior a 50°, os profissionais de saúde costumam indicar a cirurgia, sendo que segundo o médico é uma opção cada vez mais segura, com uma taxa de complicações relativamente baixa e com bons resultados.

Acrescenta ainda que “a abordagem terapêutica vai desde a simples observação ao famigerado colete como opções conservadoras, onde a participação em atividades desportivas ou reabilitação deverá ser encorajado. Por fim, em casos de deformidades avançadas a cirurgia é a opção a ser equacionada, procedimento que, dados os avanços registados nos últimos anos, se tem revelado muito segura e eficaz”.

Um alerta importante

O facto de ter sido evidenciado a eficácia dos coletes, faz com que haja uma maior necessidade em diagnosticar cada vez mais cedo a escoliose, “colocando em debate a indicação ou não de retomar os exames de rastreio escolar aplicados na adolescência”.

Esta responsabilidade, segundo Pedro Fernandes, poderá ser entregue aos médicos de clínica geral e aos pediatras, juntando-se também nesta equação os pais, os professores e educadores, que mediante um maior conhecimento sobre as manifestações da doença, poderão alertar mais cedo os clínicos, para o aparecimento da deformidade.

No entanto, para sensibilizar e esclarecer as pessoas em relação à escoliose pediátrica, foi criada a campanha “Josephine explica a escoliose”. Uma campanha nacional lançada no Dia Internacional de Sensibilização para a Escoliose (24 de junho) e que tem como embaixadora a girafa Josephine (Jo, para os mais pequenos) e conta com o patrocínio científico da Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia (SPOT) e da Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP), com o apoio da Medtronic.

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SO/CS

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