7 Nov, 2018

Há hospitais de Lisboa a racionar colheitas de sangue

No São Francisco Xavier, pelo menos dois serviços só fazem análises de sangue aos doentes internados duas vezes por semana. Problema já dura há seis meses, garante o SIM, que vai fazer queixa à entidade reguladora.

A denúncia é do Sindicato Independente dos Médicos (SIM) e dá conta de que o Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental (CHLO) deixou de fazer colheitas de sangue aos doentes internados todos os dias úteis, como era feito até aqui, e como é, de resto, prática habitual nos hospitais.

O SIM garante, em comunicado, que cada serviço só está a fazer colheitas de sangue “2 ou 3 dias por semana”. No Hospital São Francisco Xavier, que pertence ao CHLO, os doentes dos serviços de ortopedia e cirurgia só fazem análises ao sangue às terças e quintas-feiras. Esta escala consta de um documento emitido pelo serviço de patologia clínica e assinado pelo director de serviço, João Faro Viana, a que a revista Sábado teve acesso.

No documento citado, refere-se que “as colheitas nos internamentos não irão começar antes das 09h00 e poderão prolongar-se até às 13h00”. Além disso, pode ler-se que “em situações excepcionais, poderá não ser possível efectuar todas as colheiras”. Para o SIM, “esta situação claramente prejudica os doentes e a prestação de cuidados, atrasando o diagnóstico e/ou avaliação da situação clínica”, até porque, continua o sindicato, existem casos em que “é imperioso que as colheitas de sangue sejam efetuadas nas primeiras horas da manhã”.

Na origem da redução das colheitas está, segundo o secretário-geral do SIM, a entrada em vigor da lei das 35 horas. “Precisavam de ser contratados mais profissionais e isso não foi feito”, diz Jorge Roque da Cunha, que garante que esta situação já se mantém há cerca de seis meses.

Roque da Cunha não acredita que o problema se resolva a curto prazo e acrescenta, em declarações à Sábado, que a forma de o fazer “seria contratar mais gente”. O SIM queixa-se da falta de resposta quer do CHLO quer do Ministério da Saúde e, por isso, vai reportar a situação à Entidade Reguladora da Saúde. Através da queixa à ERS e da denúncia pública, o SIM pretende evitar que esta decisão acabe por “se generalizar e acabe a ser aplicada em todos os outros centros hospitalares do país”.

O Saúde Online contactou o Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental e está a aguardar as respostas às questões colocadas.

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