5 Set, 2018

Fundação Champalimaud abre novo centro de tratamento do cancro do pâncreas em 2020

A presidente da Fundação Champaliamud, Leonor Beleza, anunciou, esta terça-feira, a construção de um centro de pesquisa e tratamento do cancro do pâncreas com um investimento de 50 milhões de euros da família dos fundadores da Danone.

Para a construção da nova unidade, a Fundação Champalimaud recebeu 50 milhões de euros da família dos fundadores da multinacional alimentar Danone.  Segundo a Fundação, “é a primeira vez que uma família estrangeira confia a uma instituição filantrópica portuguesa uma responsabilidade desta natureza”.

A doação de 50 milhões de euros foi feita por Mauricio Botton Carasso e a mulher, Charlotte Botton, familiares dos fundadores da empresa Danone, fundada em Espanha em 1919. Mauricio Botton Carasso é considerado um dos homens mais ricos de Espanha.

Mauricio Botton Carasso, nascido em França, é da terceira geração da família de judeus sefarditas, sendo neto de Isaac Carasso, fundador da Danone, de acordo com informação fornecida pela Fundação Champalimaud. A família de origem grega foi para Barcelona durante a I Guerra Mundial, no entanto, vários elementos da família tiveram de fugir mais tarde ao antissemitismo nazi.

O futuro centro de investigação e tratamento do cancro do pâncreas deverá chamar-se centro “Botton-Champalimaud.

O presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia, considera que o centro representa o “lançar de uma semente” para o “diagnóstico preciso” do cancro do pâncreas e para se “ensaiar novos medicamentos”.

Segundo Luís Tomé, o cancro do pâncreas é uma doença que é diagnosticada tarde, porque “não causa sintomas, tem manifestações atípicas” e o tumor “cresce muito sem colidir com outros órgãos”. “É uma doença rebelde aos tratamentos cirúrgicos e médicos”, adiantou, assinalando que o doente tem uma esperança de vida curta, morrendo em média ao fim de seis meses após o diagnóstico.

O cancro do pâncreas é responsável pela morte de cerca de 1.300 pessoas em Portugal e mais de 330 mil no mundo por ano. A incidência da doença tem vindo a aumentar, surgindo todos os anos perto de 280 mil novos casos a nível mundial. Atualmente, é a quinta causa mais frequente de morte por cancro, prevendo alguns especialistas que passe a ser a quarta causa dentro de cerca de uma década.

A Fundação Champalimaud já tem um centro clínico e de investigação (Centro Clínico Champalimaud) direcionado para os cancros com maior incidência, incluindo os digestivos como o pâncreas.

LUSA/SO

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