14 Ago, 2020

Falta de material básico nas USF agrava-se

Estudo referente a 2019 mostra um agravamento da carência de material. Pandemia só veio piorar a situação, diz a USF-AN, que pede uma resolução do problema.

A Associação Nacional de Unidades de Saúde Familiar (USF-AN) garante que continuam a registar-se falhas de material básico de apoio à atividade médica e de enfermagem nas Unidades dos Cuidados de Saúde Primários. Em comunicado, a USF-AN sublinha mesmo que a falta de material se agravou em relação ao ano passado.

Todos os anos, desde 2012, a USF-AN realizada um estudo para avaliar o estado atual da Reforma dos CSP em Portugal, a satisfação associada e o desenvolvimento estrutural e organizacional das USF. Os resultados do inquérito de 2019, agora divulgados, mostram que 91,2% das unidades reporta falta de material considerado básico para a atividade normal, um valor ligeiramente mais elevado do que o registado em 2018.

Por outro lado, há unidades em que o problema é recorrente. 36% das USF dizem que este tipo de material faltou mais de 10 vezes durante um ano e outras 35,8% reportam entre 3 e 10 falhas. Todos estes valores representam um agravamento.

“Chegamos a 2020, com a pandemia COVID-19 instalada, e continuamos a verificar que este problema se mantém. Por isso, parece-nos importante reportar esta situação que já ultrapassou largamente o limite do tolerável“, refere a USF-AN, num comunicado assinado pelo presidente da direção, Diogo Urjais.

Embora considere que as falhas se agravaram com a pandemia de Covid-19, a associação alerta que parte dos itens em falta “não são fornecidos há meses”. “Para além da clara falta de respeito pelos profissionais de saúde e pelos utentes, estas falhas limitam a prestação de cuidados adequados, estando, em alguns casos, a impossibilitá-los de todo. Neste momento, os profissionais de saúde ou deixam de prestar alguns cuidados, ou então têm que adquirir eles próprios alguns materiais (infelizmente facto repetido várias vezes este ano), situações que consideramos longe do desejável”.

A USF-AN apela a uma rápida solução do problema e aponta várias causas possíveis. “Serão questões orçamentais, previsões de consumo inadequadas e realizadas demasiado tarde, concursos desenvolvidos apenas já em situação de rutura, produtos constantemente alvo de substituição?”, questiona.

“Consideramos inaceitável a constante falha de material, quando atualmente os pedidos e a gestão é realizada através de plataforma informática, com dotações claramente definidas”, conclui.

SO/COMUNICADO

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