18 Nov, 2020

Falta de camas para doentes Covid em UCI? Hospitais de Coimbra rejeitam críticas

Coordenador da Resposta em Medicina Intensiva considera que as 19 camas são "poucas". Administração do CHUC diz que responsável desconhece a realidade.

O Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) repudia as declarações do coordenador nacional da Comissão de Acompanhamento da Resposta Nacional em Medicina Intensiva (CARNMI), criticando o número de camas para doentes covid-19 nos cuidados intensivos.

“O CHUC tem um plano faseado de abertura de camas de medicina intensiva para doentes covid-19, que vai sendo posto em prática em função das necessidades”, refere a unidade hospitalar, em comunicado enviado à agência Lusa.

Em entrevista publicada no jornal Público, o presidente da CARNMI e da Sociedade Portuguesa de Cuidados Intensivos, João Gouveia, disse que o CHUC “tem 19 camas de cuidados intensivos com doentes covid, o que é muito pouco para um hospital com aquela capacidade”.

A administração do centro hospitalar considera a afirmação “grave para o responsável nacional que tem obrigação de conhecer o número total de camas de nível III de que o CHUC pode dispor para doentes críticos covid-19, que pensamos ser a maior do universo nacional, mercê de uma programação atempada com identificação de espaços físicos e de profissionais para esse fim”.

O CHUC “tem contribuído para suportar a rede de referenciação nacional, recebendo, tal como os outros hospitais, doentes da ARS Norte provenientes de hospitais que esgotaram a sua capacidade e sem perspetiva de plano de expansão (algo que competia à comissão presidida pelo dr. João Gouveia ter contribuído para acautelar”, refere o comunicado.

Os Hospitais de Coimbra salientam que recebem igualmente “doentes para ECMO (dispositivo de circulação extracorporal essencial ao tratamento de doentes críticos), a maioria deles provenientes de outros hospitais, da região e fora dela, por incapacidade de outros centros de referência os receberem”, mantendo essa capacidade de resposta ativa para o “universo do território nacional”.

“O CHUC tem agido de forma transparente, referenciando como doentes críticos, unicamente o número de doentes de nível III que tem diretamente internado em Medicina Intensiva”, sublinha o comunicado, frisando que, ao contrário de “muitos outros hospitais, não tem apresentado os números do total de doentes a que dá apoio (inclui doentes de nível II em ventilação não invasiva ou oxigénio de alto fluxo) que totalizam 12 camas”.

“Se as somarmos à capacidade agora instalada teremos 31 doentes críticos covid-19 internados no CHUC”, acrescenta a nota.

A administração realça ainda que tem definido “de forma clara, desde o início da pandemia, os critérios de internamento em Medicina Intensiva”.

SO/LUSA

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