Falha no sistema informático do SNS com origem diferente da registada em junho
A interrupção de energia provocou a falha no sistema informático de apoio aos centros de saúde e hospitais do SNS, mas, cerca das 15:00, as equipas técnicas já tinham “conseguido repor praticamente todos os serviços e sistemas”, como o Registo Nacional de Utentes (RNU) e a Prescrição Eletrónica Médica (PEM).

A falha no sistema informático de ontem no centro de dados do SNS tiveram uma origem diferente das registadas em junho, adiantaram os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, que esperam ter um sistema de redundância a funcionar até final do ano. “Esta falha tem uma origem diferente da que ocorreu no passado 12 de junho”, tendo sido registadas duas “interrupções sucessivas” de energia no ‘data center’ durante a manhã, adiantou à Lusa a entidade que gere os sistemas de informação e infraestruturas tecnológicas do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
A primeira interrupção “foi resolvida de imediato, sem consequências relevantes”, mas a segunda causou indisponibilidade nos sistemas de informação, reconheceram os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS).
Segundo a mesma fonte, na prática, a interrupção de energia provocou falhas nos sistemas de apoio aos centros de saúde e hospitais do SNS, mas, cerca das 15:00, as equipas técnicas já tinham “conseguido repor praticamente todos os serviços e sistemas”, como o Registo Nacional de Utentes (RNU) e a Prescrição Eletrónica Médica (PEM). Adiantou ainda que o atual data center da SPMS, localizado no Porto, tem tido diversas intervenções de melhoria, prevendo “para breve a reformulação da sua arquitetura energética”.
Além disso, os SPMS contam ter, até final deste ano, uma nova infraestrutura, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que vai assegurar a redundância em tempo real dos principais sistemas, um investimento que “reforçará a segurança e desempenho das plataformas informáticas do SNS”. Em causa está um novo centro de dados em Évora, num investimento de cerca de 15 milhões de euros, que, no final de 2022, os SPMS previam que seria instalado até final do primeiro trimestre de 2023, funcionando a redundância a partir dos meses seguintes.
Na altura, os SPMS justificaram o investimento em Évora com a necessidade de construir um novo polo, além da infraestrutura existente no Porto, salientando que deveria ser “capaz de resistir a um conjunto de vicissitudes que podem acontecer a estes centros de dados”.
Em 12 junho, o acesso a serviços e sistemas de informação do SNS foi afetado durante várias horas e, apesar da sua reposição gradual, alguns constrangimentos temporários continuaram a verificar-se nos dias seguintes. Um dos sistemas mais afetados na altura foi a PEM, utilizada por cerca de 10 mil médicos por dia e responsável por uma média de 250 mil receitas passadas diariamente em Portugal.
Cerca de um mês depois, o presidente dos SPMS admitiu, numa audição no parlamento, que a falha registada no centro de dados tinha sido surpreendente, alegando que a infraestrutura respondeu bem ao apagão que atingiu Portugal e a um simulacro em 2025.
Na ocasião, Luís Goes Pinheiro adiantou que o incidente de 12 de junho se deveu a uma quebra de abastecimento de energia externa de “alguns minutos” ao edifício que aloja o único centro de dados da SPMS. Já a falha de ontem no sistema informático foi denunciada à Lusa pela Federação Nacional dos Médicos (FNAM), que alertou para a indisponibilidade da Prescrição Eletrónica Médica e do Registo de Saúde Eletrónico em várias unidades locais de saúde, entidades que gerem os hospitais e os centros de saúde públicos.
SO/LUSA
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