17 Jul, 2017

Estudo relaciona diminuição de paragens cardíacas com expansão do Obamacare

Resultados de um estudo que avaliou o impacto dos acidentes cardiovasculares nos indivíduos consoante o tipo de seguro de saúde que possuíam mostram que os episódios de paragem cardíaca ocorreram significativamente menos no grupo de adultos que adquiriu o seguro de saúde através do “Affordable Care Act” (ACA, sigla ingelsa)

A investigação foi publicada no “Open Access Journal of the AmericanHeart Association”, da “American Stroke Association”.

No estudo sobre serviços de emergência médica na zona urbana de Oregon antes e depois do ACA, os investigadores observaram que a incidência da paragem cardíaca era muito menor nos adultos de meia-idade depois de estes terem adquirido o seguro de saúde através do ACA.

Nos adultos entre os 45 e os 64 anos, a incidência da paragem cardíaca decresceu em 17%. Por outro lado, a incidência manteve-se igual nos adultos com mais de 65 anos que possuíam seguros de saúde com altas taxas de cobertura.

“A paragem cardíaca é uma das causas mais devastadoras e menos reconhecidas de morte prematura de homens e mulheres com mais de 45 anos”, afirmou o investigador principal do estudo, Eric Stecker, professor de Cardiologia no Oregon Health & Science University’s Knight Cardiovascular Institute em Portland. “O seguro de saúde permite as pessoas terem acesso a cuidados médicos regulares, o que é crucial para a prevenção das doenças cardiovasculares e para o diagnóstico e tratamento de sintomas que podem causar paragens cardíacas”.

Nos Estados Unidos, ocorrem, por ano, mais de 350.000 casos de paragens cardíacas fora de contexto hospitalar. A paragem cardíaca acontece quando o sistema regulatório do coração falha de repente, causando um ritmo cardíaco anormal. Se a assistência médica imediata, como a reanimação, não acontece logo após a paragem cardíaca, a pessoa pode morrer.

Neste estudo, os investigadores utilizaram os registos dos serviços de emergência médica na região de Mulnomah, em Oregon, para identificar pacientes com episódios de paragem cardíaca fora de contexto hospitalar. Depois, compararam a informação com os dados dos censos daquela região sobre a população adulta nos anos antes da implementação do ACA (2011-2012) e depois (2014-2015). Este estudo fez parte de uma grande investigação liderada pelo autor sénior do estudo, Sumeet Chugh, diretor do Heart Rhythm Center no Cedars-Sinai Heart Institute em Los Angeles.

“Estas descobertas sublinham o papel importante da prevenção na batalha contra a paragem cardíaca repentina, que afeta quase um milhar de americanos todos os dias”, afirmou Sumeet Chugh. “Menos de 10% destes pacientes chegam ao hospital com vida, muitas vezes porque chamam ajuda demasiado tarde. Por esta razão, a prevenção efectiva é vital”.

Apesar de os resultados deste pequeno e preliminar estudo mostrarem uma associação entre o seguro de saúde e as baixas taxas de episódios de paragem cardíaca, não provam causa e efeito. Para provar que o seguro de saúde diminui a taxa de paragens cardíacas, é necessário realizar estudos mais abrangentes que controlem outras possíveis influências e incluam uma maior diversidade de pacientes.

Contudo, os resultados confirmam o apoio da “American Heart Association” à expansão do ACA e a qualquer outro seguro de saúde.

“É fundamental identificar de forma mais abrangente os benefícios para a saúde do seguro e considerar cuidadosamente as políticas públicas que afetam o número de americanos não segurados”, disse Stecker.

Medscape/SF

 

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