3 Dez, 2025

Estudantes de Medicina alertam para “urgência” em tornar o SNS mais atrativo após pior concurso de internato dos últimos anos

A associação dos estudantes de Medicina defende que a falta de internos coloca em risco a capacidade formativa do SNS, lembrando que os especialistas desempenham um papel essencial na prestação de cuidados e na orientação clínica dos mais novos.

Estudantes de Medicina alertam para “urgência” em tornar o SNS mais atrativo após pior concurso de internato dos últimos anos

A Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM) considera urgente “aumentar a atratividade” do Serviço Nacional de Saúde (SNS) para reter futuros médicos, após os resultados do concurso para o internato médico, divulgados este fim de semana, terem revelado que cerca de 20% das 2.331 vagas ficaram por preencher — o pior registo dos últimos anos.

Em declarações enviadas à Lusa, o presidente da ANEM, Paulo Simões Peres, alertou que, apesar de “a maioria dos estudantes de Medicina desejar permanecer no SNS”, muitos acabam por ponderar alternativas, incluindo a emigração. “Esta saída compromete o futuro do sistema, porque sem internos hoje, não teremos especialistas amanhã”, reforçou.

Para a associação, os resultados evidenciam que a retenção de jovens médicos se tornou “um dos maiores desafios do SNS”, com impacto direto tanto na formação dos estudantes e internos como na sustentabilidade futura do sistema público de saúde.

A ANEM defende que a falta de internos coloca em risco a capacidade formativa do SNS, lembrando que os especialistas desempenham um papel essencial na prestação de cuidados e na orientação clínica dos mais novos. “Serviços que, ano após ano, deixam de receber internos, acabam por prejudicar não só a aprendizagem prática dos futuros médicos, mas também a preparação dos especialistas de que o SNS necessita para garantir cuidados de qualidade”, refere a associação.

Entre as especialidades com lugares por preencher encontram-se áreas consideradas estruturais, como Medicina Geral e Familiar, Medicina Interna, Patologia Clínica e Saúde Pública. Segundo a ANEM, a Região de Lisboa e Vale do Tejo concentra uma parte significativa das vagas por ocupar, revelando “assimetrias regionais” que afetam tanto o acesso da população aos cuidados de saúde como a experiência formativa dos internos.

A associação sublinha ainda que a atual crise de atratividade “não se limita ao internato”: sem médicos suficientes a permanecer no SNS, avisa, o sistema poderá enfrentar dificuldades crescentes para manter serviços, formar novos especialistas e responder às necessidades da população nos próximos anos.

Os médicos que garantiram colocação no concurso iniciarão a sua formação especializada em janeiro. Este processo de escolha de vagas volta, este ano, a ser conduzido pela Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), após anos sob responsabilidade das agora extintas administrações regionais de saúde.

SO/LUSA

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