22 Set, 2021

“Espirolactona é uma alternativa sistémica eficaz e bem tolerada no tratamento da acne na mulher adulta”

A abordagem holística e o tratamento da acne na mulher adulta mereceram destaque no segundo dia dos trabalhos, com a dermatologista francesa Brigitte Dreno a apontar o papel da espirolactona como alternativa aos antibióticos sistémicos, antiandrógenos e isotretinoína.

O perfil clínico da mulher adulta com acne carateriza-se por 57% de componente hereditária (37% por parte da mãe, 41% por parte do pai e 46% dos irmãos), 64% de frequência elevada de cicatrizes de acne, uma severidade menor comparativamente à acne adolescente (85% dos casos são leves a moderados), níveis altos de agravamento prévio à menstruação (em 80% das mulheres).

A contextualização desta condição dermatológica foi feita no 24th International Meeting: Update On Dermatology Treatments por Brigitte Dreno, tendo especialista adiantado que o principal fator externo para acne no feminino na idade adulta é, à cabeça, o stress.

Na abordagem holística da acne na mulher adulta importa identificar os fatores genético e hormonal, uma vez que a “acne familiar” está mais vezes associada a maior risco de recaída. Quanto ao outro fator, o médico deve procurar sinais de hiperandrogenismo periférico e discutir a possibilidade de terapêutica hormonal.

Igualmente relevante neste contexto é procurar saber se a doente sofre de disbiose, de forma a evitar prescrever antibióticos tópicos (devido à resistência antimicrobiana), mas optar em alternativa por peróxido de benzoíla, retinoides tópicos e combinações fixas.

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As melhores indicações para a espirolactona na acne da mulher adulta

Ainda que não em todos os casos, “a espirolactona é uma alternativa sistémica eficaz e bem tolerada aos antibióticos sistémicos, antiandrógenos e isotretinoína (por contraindicação ou recaída) no tratamento da acne na mulher adulta”, adiantou a dermatologista francesa, com base em evidência: uma revisão de 70 casos de acne na mulher adulta tratada com espirolactona (Eur J Dermatol 2017, 27(4): 393-8), que demonstrou uma eficácia de 71% (n=47 – 60% das quais por insucesso com isotretinoína); um estudo retrospetivo de 2019, que teve a duração de quatro anos e que mostrou que 86% das doentes tratadas com espirolactona melhoraram da sua condição, com muito poucos efeitos adversos registados.

As melhores indicações para a espirolactona neste contexto são: acne em idade adulta, acne mandibular, hiperseborreia com poucas lesões inflamatórias, sinais de hiperandrogenismo periférico, ineficácia da isotretinoína e tendência depressiva, concluiu Brigitte Dreno.

CBM/SO

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