21 Mai, 2020

Entrevista: Roche responde à pandemia com inovação em diagnósticos

Num período de pandemia, o valor do diagnóstico é essencial. Em entrevista, a diretora geral da Roche Diagnósticos realça o compromisso da empresa na resposta à pandemia da COVID-19 através do desenvolvimento e introdução no mercado de testes de diagnósticos, num período extremamente curto, essenciais tanto para o sistema de saúde como para os doentes.

Qual tem sido a relação da Roche com as autoridades de saúde portuguesas desde o início da pandemia, no que diz respeito ao testes?

Temos trabalhado em estreita colaboração com as autoridades de saúde em Portugal desde o início da pandemia para disponibilizar os nossos testes moleculares no Serviço Nacional de Saúde, a fim de responder à necessidade de diagnóstico na deteção de pessoas infetadas com SARS-CoV-2.

Desde os primeiros dias desta pandemia, apoiámos vários laboratórios com o fornecimento de testes moleculares, incluindo extração, amplificação e deteção do vírus SARS-CoV-2 num processo semi-automatizado. Depois, a 12 de março de 2020, recebemos uma Autorização de Utilização de Emergência da FDA para o nosso teste molecular in vitro de deteção do novo vírus que causa a doença COVID-19, um teste que também disponível nos mercados que aceitam a marca CE, como é o caso de Portugal, e permitiu aos hospitais e laboratórios a realização de testes em instrumentos de grande capacidade e volume disponíveis no nosso país.

Desde o início desta pandemia que temos feito todos os esforços para fazer cumprir o nosso compromisso de fornecer soluções de teste para esta crise de saúde pública, classificada como uma pandemia pela Organização Mundial de Saúde. A nossa principal preocupação é ajudar a controlar o surto da COVID -19 nas áreas mais afetadas, através da disponibilização de testes de diagnóstico e temos muito orgulho do nosso papel no desenvolvimento e introdução no mercado de novos testes, num período extremamente curto, para ajudar a enfrentar o desafio de uma das crises de saúde sem precedentes dos últimos tempos.

Quantos testes de diagnósticos (de base molecular) a Roche já forneceu a Portugal? Onde são produzidos? Esperam conseguir assegurar as necessidades nacionais nas próximas semanas, como até aqui?

Já fornecemos mais de 150.000 testes moleculares em Portugal desde o início desta pandemia, dando a melhor resposta possível às necessidades do Serviço Nacional de Saúde. No entanto, devido à elevada procura de reagentes e consumíveis, a situação da oferta pode ser, por vezes, desafiante em algumas ocasiões. A nível global, e mesmo a nível local, temos trabalhado 24 horas por dia para avaliar a disponibilidade dos produtos, uma vez que reconhecemos a importância de os doentes necessitarem de ter acesso a estes testes considerados críticos.

O nosso teste molecular, in vitro, é produzido em Branchburg, Nova Jersey e o sistema em que este teste é realizado é produzido na Suíça. Os restantes componentes, como consumíveis e reagentes, fazem parte da nossa rede global de fornecimento.

O nosso compromisso é ajudar Portugal a enfrentar esta crise de saúde pública, mas sabemos que sozinhos não podemos satisfazer o fornecimento global e local. Por isso, continuaremos a dar continuidade à nossa colaboração com as autoridades de saúde a fim de disponibilizar o maior número possível de testes para fazer face a esta pandemia e incentivamos que os nossos parceiros reúnam esforços para fazerem o mesmo.

No que diz respeito aos testes serológicos, em que ponto está a aprovação para uso europeu e, sobretudo, em Portugal? Quando pensam começar a abastecer Portugal?

Em países que aceitam a marca CE-IVD, como é o caso de Portugal, o teste recebeu aprovação no final de abril de 2020, mais cedo do que o esperado e já se encontra disponível no nosso mercado com autorização de utilização. Estamos atualmente a preparar alguns projetos em parceria com autoridades locais para a implementação de testes serológicos à população. Uma vez publicadas as orientações da DGS, poderemos apoiar o sector público da melhor forma para uma disponibilidade atempada e um acesso rápido a testes fiáveis e de alta qualidade, o que é essencial tanto para o Serviço Nacional de Saúde como para os doentes.

Têm-se levantado dúvidas quanto à fiabilidade dos testes serológicos. O teste desenvolvido pela Roche requer uma colheita de sangue e não só uma picada no dedo? Isso torna-o mais fiável na comparação com outros?

Estamos a desenvolver todos os esforços para podermos dar resposta global à pandemia da COVID-19 e compreendemos a importância da disponibilidade atempada e do acesso rápido a testes fiáveis e de alta qualidade, essenciais tanto para o Serviço Nacional de Saúde como para os doentes.

O nosso novo teste serológico, in vitro, utiliza soro e plasma humanos retirados de uma amostra de sangue, recolhidos através colheita sanguínea, na deteção de anticorpos e determinação da reação imunitária do organismo ao SARS-CoV-2. Sabemos que o nosso teste demonstrou ter elevadas especificidade e sensibilidade em amostras colhidas 14 dias após uma infeção confirmada por PCR, o que pode ajudar a avaliar a resposta imunológica dos doentes ao vírus SARS-CoV-2. Além disso, saber mais sobre a imunidade ao SARS-CoV-2 pode ajudar a avaliar quem tem uma potencial imunidade ao vírus e ajudar melhor os prestadores de cuidados de saúde a gerir os seus doentes.

TC/SO

 

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