Entrevista. A Fibrilhação Auricular como “um fenómeno silencioso”

A Fibrilhação Auricular é a arritmia cardíaca mais comum em todo o mundo. Ao SaúdeOnline, a médica de Medicina Geral e Familiar, refere que esta arritmia é, por vezes, "um fenómeno silencioso" e destaca a importância de um diagnóstico precoce

Qual é a prevalência Fibrilhação Auricular em Portugal?

Segundo o estudo SAFIRA, a prevalência global da Fibrilhação Auricular, em Portugal, é de 9% nos indivíduos com idade igual ou superior a 65 anos de idade.

Quais as faixas etárias mais afetadas?

A incidência da Fibrilhação Auricular aumenta com a idade, sendo mais prevalente nos utentes com idade igual ou superior a 65 anos de idade. Segundo o estudo SAFIRA, a prevalência entre os 70 e os 80 anos de idade é de 6,6% e de 10,4% nos utentes com idade igual ou superior a 80 anos de idade.

Quais os principais fatores de risco da Fibrilhação Auricular?

Os principais fatores de risco da Fibrilhação Auricular são o envelhecimento, a hipertensão arterial, doença valvular e doença coronária. Outros fatores de risco que devemos ter em conta são a diabetes, a obesidade, a apneia do sono, a insuficiência cardíaca e, por último, o tabagismo.

Quais são os principais sintomas registados por pessoas que sofrem desta arritmia?

Apesar de ser, muitas vezes, um fenómeno silencioso, pode traduzir-se em cansaço fácil, falta de ar, palpitações, pulsação rápida e irregular, tonturas ou desmaio e, em casos mais graves, pode resultar em eventos fatais.

Qual o papel e importância de um diagnóstico precoce?

Um diagnóstico precoce desta arritmia é importante, de forma a prevenir possíveis complicações tais como Acidente Vascular Cerebral (AVC), Insuficiência Cardíaca ou morte súbita. A Fibrilhação Auricular está associada a hospitalizações frequentes e redução da qualidade de vida. Está recomendado que os utentes com idade superior a 65 anos façam o rastreio da FA através da autoavaliação do ritmo do pulso ou através da realização de um eletrocardiograma.

Quais são as principais recomendações feitas às pessoas, de forma a controlar a arritmia, e de forma a evitar complicações futuras?

Reforçar a importância da adesão terapêutica, nomeadamente no que diz respeito à terapêutica anticoagulante e sensibilizar a população para as consequências do incumprimento terapêutico, nomeadamente o risco de desenvolver um AVC. Promover um estilo de vida saudável, nomeadamente evicção do tabagismo, consumo álcool e drogas, prática de exercício físico e alimentação saudável. Os utentes com esta patologia devem estar familiarizados com sinais e sintomas que motivem a necessidade de cuidados de saúde, tais como palpitações ou sensação de aumento da frequência no pulso.

Os Novos Anticoagulantes Orais (NOAC) são recomendados como tratamento para a maioria destes doentes. Quais as suas vantagens? E desvantagens?

Os NOACs não necessitam de monitorização através da realização de uma análise sanguínea, permitindo uma maior comodidade ao utente direta e indiretamente, uma vez que frequentemente a ida aos cuidados de saúde exige o acompanhamento de um familiar e, consequentemente, absentismo laboral. À eficácia terapêutica, acresce a quase ausência de interações alimentares, melhor perfil de segurança, relação custo-eficácia e uma melhoria no padrão de qualidade de vida. Relativamente às desvantagens, de realçar o facto da sua utilização ainda não estar aprovada para todos os tipos desta arritmia, nomeadamente em alguns casos de causa valvular e em doentes com próteses valvulares. Adicionalmente, os NOACs têm um custo direto maior comparativamente com os Antagonistas da Vitamina K, além de ser necessário proceder ao ajuste posológico de acordo com a função renal do utente.

AR/SO

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