27 Mai, 2026

Quase três em cada quatro utentes realizam ações de prevenção no SNS

Dos que realizaram ações de prevenção, 67,8% procuraram o SNS para análises clínicas de rotina, 61,8% para consultas de rotina/check-up e 50,6% para exames de diagnóstico.

Quase três em cada quatro utentes realizam ações de prevenção no SNS

Quase três em cada quatro utentes realizaram no último ano uma ação de prevenção, como análises clínicas e consultas de rotina, no Serviço Nacional de Saúde (SNS), indica um estudo hoje divulgado. A prevenção é a nova dimensão do Índice de Saúde Sustentável 2025/26, desenvolvido pela Nova Information Management School (Nova IMS), que avalia anualmente a sustentabilidade do SNS, integrando o desempenho assistencial, acesso, capacidade de resposta, capacidade preventiva e sustentabilidade financeira. Segundo o estudo, a que a Lusa teve acesso e que será hoje apresentado, em Lisboa, 73% dos utentes realizaram pelo menos uma ação de prevenção.

Dos que o fizeram, 67,8% procuraram o SNS para análises clínicas de rotina, 61,8% para consultas de rotina/check-up e 50,6% para exames de diagnóstico para controlo preventivo. Cerca de um terço (32%) realizou ações preventivas no setor privado.

Para calcular o índice de sustentabilidade do SNS são usadas componentes como a capacidade/resposta assistencial, a qualidade (técnica percecionada), o acesso e a sustentabilidade financeira, com diferentes ponderações e todas elas convertidas numa escala de 0 a 100.

Em declarações à Lusa, o coordenador do estudo, Pedro Simões Coelho, explicou os motivos que levaram este ano a atualizar a metodologia para o cálculo do índice de sustentabilidade: “antes tínhamos um sistema de saúde que estava totalmente virado para atividade, para a produção. Agora temos um sistema que é financiado pela capitação e que deverá incentivar a prevenção”. “Um sistema de saúde cuja despesa tem vindo a crescer deixará de ser sustentável, a prazo, se não apostar na prevenção”, acrescentou.

O especialista confessou que a fotografia dada pela nova componente do índice (prevenção) foi “uma boa surpresa”: “Estava à espera de termos uma fotografia de um sistema muito virado para tratar os pacientes críticos e os crónicos, e não tanto para a prevenção”. “Nos cálculos que fizemos, a prevenção tem um valor bastante elevado [quase 65 pontos, em 100]. É o segundo maior, logo a seguir à qualidade”, sublinhou, acrescentando que “é um dos principais pontos fortes do sistema”.

Ainda sobre a prevenção, Pedro Simões Coelho diz-se convencido de que será a única chave para o SNS sair de “um circuito permanente de crescimento de despesa muito grande e de crescimento muito anémico da atividade”.

Os três pontos mais fracos do SNS, segundo os dados recolhidos, são o acesso, a capacidade de resposta assistencial e a sustentabilidade financeira, devido à grande pressão do crescimento da despesa. “O futuro do SNS terá que passar pela prevenção e isso liga-se com a inovação”, afirmou o responsável, considerando essencial, no futuro, dar o salto para uma escala diferente, que traga “uma prevenção mais personalizada”, o que só se conseguirá com “uma maior utilização de dados e de ferramentas analíticas”.

Globalmente, os utentes continuam a considerar o preço do SNS adequado e apenas 12% considera o valor das taxas moderadores desadequado. Contudo, os dados mostram que há uma ideia errada (muitas vezes sobrestimada) sobre os valores efetivamente cobrados, tanto nas consultas como nos internamentos. Subiu ligeiramente a percentagem de utentes (12%, mais 1,4 pontos percentuais) que não comprou medicamentos por causa do preço.

Na ótica dos utentes, os profissionais de saúde são o ponto forte do SNS. Já os tempos de espera, o acesso aos cuidados e o contacto com os serviços de saúde são os principais pontos fracos e, por isso, devem ser as áreas prioritárias de atuação.

Mais de metade dá nota positiva à modernização no SNS, exceto no acesso à inovação

De acordo com o mesmo estudo, mais de metade dos utentes avaliam de forma positiva ou muito positiva a modernização tecnológica dos equipamentos usados no Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas apenas um terço diz que os doentes têm acesso atempado a medicamentos inovadores.

Sobre a inovação digital e em termos de organização, a maioria acredita que o SNS utiliza adequadamente tecnologias digitais (61%) e que se adapta rapidamente a novos desafios de saúde (57%). Contudo, os utentes mostram-se menos confiantes quanto à inovação terapêutica: apenas 34% acredita que os doentes em Portugal têm acesso atempado a novos medicamentos inovadores através do Serviço Nacional de Saúde.

Menos de um terço (30%) acredita que o SNS é rápido a incorporar novos tratamentos e tecnologias de saúde em comparação com outros países da União Europeia. “A população considera que o SNS está muito bem apetrechado para ser capaz de utilizar tecnologias e de ter alguma inovação em termos de organização, (…) mas apenas uma minoria, à volta dos 30%, diz que, de facto, ele é capaz de oferecer inovação terapêutica atempada aos doentes, nomeadamente o acesso aos medicamentos inovadores”, explicou à Lusa o coordenador do estudo, Pedro Simões Coelho, sublinhando que este é um tema que “preocupa a população”.

Para mostrar a preocupação da população com o acesso à inovação, Pedro Simões Coelho disse que, colocados sob o cenário de o SNS ter de repente recursos para aliviar os tempos de espera ou para dar acesso mais rápido a medicamentos inovadores, a maioria diz que repartiria os recursos de forma igual pelas duas opções.

“Para mim é sintomático”, afirmou o responsável, acrescentando: “o tempo de espera é o que a pessoa sente como mais premente no momento imediato. Haver tanta gente que diz que abdica um bocadinho da redução dos tempos de espera, se isso permitir ter acesso a tratamentos inovadores mais rapidamente, mostra bem que é um tema está na preocupação das pessoas”.

Os dados mostram que a maioria dos portugueses confia que o SNS conseguirá manter-se tecnologicamente atualizado nos próximos cinco anos (57%) e concorda que o investimento em inovação é essencial para a sustentabilidade futura do serviço público de saúde (89%).

 

SO/LUSA

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