24 Abr, 2017

“Endocaminhada”: 738 quilómetros pela endometriose

A Estrada Nacional (EN) 2, que liga Faro a Chaves, ao longo de 738 quilómetros, foi o percurso escolhido para uma caminhada de sensibilização sobre a endometriose a que se propôs o caminheiro algarvio Marco Pereira

Apaixonado por caminhadas há muitos anos, Marco Pereira vai percorrer o país, de norte a sul, através daquela estrada, e decidiu aliar a esta aventura, de quase quatro semanas, a sensibilização para a endometriose, doença que afeta sobretudo mulheres, mas que também pode atingir os homens.

“A ideia é atravessar o país a pé por uma estrada emblemática, desde o quilómetro zero até ao quilómetro 738”, contou, deixando um convite para quem o queira acompanhar em alguma parte do percurso a fazê-lo e a acompanhá-lo através da página “Diário de um Caminheiro” que criou na rede social Facebook.

O plano da viagem já está preparado minuciosamente e Marco Pereira vai tentar percorrer diariamente entre 15 a 50 quilómetros, com partida de Chaves a 28 de Setembro e chegada prevista a Faro a 21 de outubro.

Na mochila levará o essencial e, acima de tudo, “uma vontade muito grande de chegar ao Algarve”, referiu, frisando que “as pessoas hão de perceber” porque está a caminhar.

Durante a “Endocaminhada” conta com o apoio da Associação Rota da EN2 e de várias corporações de bombeiros onde irá pernoitar.

Admitindo que muitas pessoas se espantam ao ver um homem a propor-se a fazer este desafio de sensibilização sobre a endometriose e a importância de um diagnóstico precoce, Marco Pereira diz que ficou sensibilizado ao conhecer a doença e ao perceber que conhecia várias pessoas que sofrem com esta doença em silêncio.

A endometriose é uma doença cuja causa ainda não é conhecida e que apesar de afetar mais as mulheres também afeta homens, explicou à Lusa Catarina Jerónimo do núcleo do Algarve da associação MulherEndo que se dedica à sensibilização sobre esta doença.

Na sua forma mais comum, a endometriose afeta o revestimento interno do útero a cada ciclo menstrual permitindo que as células do endométrio se implantem em outros locais do corpo como é o caso do peritoneu pélvico, dos ovários, do reto, da bexiga, dos intestinos, e outros órgãos.

“O diagnóstico demora em média dez anos a ser feito e nós queremos divulgar a doença” para permitir um diagnóstico mais rápido, comentou Catarina Jerónimo apontando que o tratamento precoce é importante para controlar a doença.

Catarina Jerónimo contou que pretende acompanhar Marco Pereira em algum momento da caminhada e que outros elementos da associação também estão a preparar-se para apoiar este caminheiro em vários pontos do país.

Os pontos de passagem e de descanso de Marco Pereira ao longo da EN2 deverão ser aproveitados para criar momentos de sensibilização junto das populações sobre a endometriose.

Marco Pereira conheceu a associação MulherEndo em março deste ano, na altura em que colaborou na organização da marcha solidária pela endometriose que juntou em Quarteira mais de 500 pessoas.

Uma causa a que não conseguiu ficar indiferente e para a qual pensou contribuir ao associar uma vertente de sensibilização à sua caminhada.

 

LUSA/SO/SF

 

Gedeon Richter

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