5 Nov, 2018

Dois hospitais da região norte enviam falsas urgências para os centros de saúde

Barcelos e Póvoa de Varzim tentam encaminhar doentes não urgentes, que representam mais de metade dos episódio de urgência, para os centros de saúde.

Com o problema das falsas urgências a agudizar-se (representavam, em 2017, 41% dos episódios de urgências que chegavam aos hospitais), a articulação com os cuidados de saúde primários torna-se cada vez mais importante. Os hospitais de Barcelos e da Póvoa de Varzim começaram já a encaminhar para os centros de saúde os doentes não urgentes, isto é, os que recebem a pulseira verde ou azul no momento da triagem, adianta o Jornal de Notícias.

Em parceira com os centros de saúde que integram o projeto, os hospitais garantem que o utente é atendido por um médico de família no próprio dia. Deste modo, o utente evita estar um longo período à espera na urgência e o hospital consegue direcionar recursos para os casos realmente graves, aliviando a pressão sobre os serviços. No entanto, cabe sempre ao utente decidir se quer ou não ser encaminhado.

No hospital de Barcelos o projeto já permitiu referenciar, desde o final de maio, 52 doentes para os centros de saúde parceiros. Já no Hospital da Póvoa de Varzim o projeto iniciou-se a 1 de outubro e, nos primeiros dez dias, 40 doentes aceitaram ser encaminhados. No caso de Barcelos, já são visíveis os primeiros resultados: a taxa de falsas urgência desceu, pela primeira vez em muitos anos, para menos de 50%, estando agora nos 48%, refere o presidente desta unidade hospitalar, Joaquim Barbosa, ao JN. Ainda assim, trata-se de um valor muito elevado e superior à média nacional.

Segundo a diretora do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) de Barcelos/ Esposende, o projeto arrancou, em Barcelos, há cerca de um ano mas só a partir de 28 de maio é que o sistema informático passou a permitir a marcação direta de consultas na agenda das Unidades de Saúde Familiares (USF) – até aí o hospital telefonava para a USF para agendar a consulta.

Para o sucesso deste tipo de projetos um dos fatores decisivos é a capacidade de resposta dos cuidados de saúde primários. Ora, a região Norte é a que tem menos utentes sem médicos de família atribuído e apresenta uma cobertura quase total da população por equipas de saúde familiar.

No caso da Póvoa do Varzim, o facto de o hospital se encontrar localizado no centro da cidade leva, muitas vezes, os utentes a recorreram ao serviço de urgência quando não se justifica. O Centro Hospitalar da Póvoa de Varzim/Vila do Conde tem, aliás, a maior taxa de falsas urgências do país – no ano passado, rondou os 57%. “A adesão é voluntária e excluímos deste grupo as situações traumáticas ou aqueles doentes que vão necessitar de exames complementares que o centro de saúde não tem (RX por exemplo)”, explica ao JN o diretor clínico, Joaquim Monteiro da Silva.

O próximo passo desta cooperação é começar a trabalhar no sentido inverso, ou seja, na possibilidade de os centros de saúde poderem agendar, de forma célere, consulta no hospital.

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