22 Jun, 2017

Doentes com VIH falham consultas de especialidade por motivos financeiros

"Valor em Saúde: O Caso VIH/Sida" é um estudo da Escola Nacional de Saúde Pública que pretendeu identificar os constrangimentos e estratégias no percurso do doente com VIH/SIDA e está hoje a ser identificado

O acesso inadequado à consulta de especialidade por motivos financeiros e uma referenciação desadequada devido a fatores psicossociais, bem como falhas no apoio social e familiar são obstáculos no percurso dos doentes com VIH identificados num estudo.

Estes constrangimentos estarão na origem dos obstáculos para atingir o objetivo da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 90-90-90 para o VIH/SIDA: 90% dos doentes diagnosticados, 90% dos doentes em tratamento e 90% dos doentes tratados com carga viral indetetável. Segundo o estudo, em Portugal “resultados recentes indicam que 91,3% das pessoas infetadas foram diagnosticadas”, o que atinge a primeira meta 90.

Contudo, os mesmos dados referem que 78,4% dos doentes tratados têm carga viral indetetável, um valor “problemático”. “Relatos de profissionais, doentes e membros de organizações não-governamentais deixam suspeitar que a referenciação dos casos detetados seria muito imperfeita em Portugal”, lê-se no estudo.

Ao longo da investigação, foi realizado um mapeamento do percurso do doente: do teste reativo à retenção em tratamento. Entre os principais obstáculos no percurso do doente que foram identificados no decorrer do estudo conta-se a baixa literacia em saúde e falhas na informação e aconselhamento prestado sobre a importância do teste e tratamento limitam utilização do teste.

O acesso inadequado à consulta de especialidade por motivos financeiros (deslocação), tempos de espera, ausência de marcação e incapacidade de navegar no sistema de saúde limitam a referenciação, juntamente com falhas no acompanhamento e complexidade no sistema de referenciação foram outros dos obstáculos encontrados.

Em relação às barreiras no acesso à consulta de especialidade, o estudo indica aponta a falta de capacidade financeira, o que estará “relacionado com nível de educação, contexto social e rendimento (procura), e falta de capacidade dos serviços em termos de recursos humanos e a sua qualificação, cobertura geográfica e financeira (oferta)”.

Os autores também identificaram uma “referenciação desadequada devido a fatores psicossociais (receios relacionados com tratamento e estigmatização) e falhas no apoio social e familiar que poderiam permitir ultrapassar estas barreiras”.

“Instabilidade financeira e de vida, perturbações de saúde mental e abuso de substâncias amplificam” estas situações, segundo as conclusões do estudo.

Os autores defendem algumas intervenções, com base na literatura consultada e na audição de alguns peritos nacionais, como o “apoi