21 Set, 2021

Doentes ainda sem acesso gratuito a antipsicóticos, confirmam centros hospitalares

A denúncia foi feita pela presidente da Associação FamiliarMente, Joaquina Castelão, que revela conhecer vários casos nesta situação.

Apesar de o Governo ter autorizado a comparticipação total e a respetiva dispensa gratuita de antipsicóticos no Serviço Nacional de Saúde (SNS) a pessoas diagnosticadas com doença mental grave, muitos centros hospitalares ainda não o fazem, alerta o Expresso.

A propósito do Orçamento de Estado para 2021, a comparticipação total deste tipo de fármacos foi uma medida assumida pelo Governo, sendo que, em junho, foi divulgado um despacho que dava 60 dias aos hospitais para adaptarem os seus “sistemas informáticos de prescrição e dispensa” neste sentido.

No entanto, “a lei não está a ser cumprida, o que penaliza muito estas pessoas”, denunciou a presidente da associação FamiliarMente, Joaquina Castelão. No mesmo âmbito, a coordenadora de saúde mental da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) e coordenadora do serviço de psiquiatria do Hospital Fernando Fonseca, na Amadora, Teresa Maia, confirmou que nesta região ainda nenhum hospital o faz.

Segundo confirmou, no seu hospital, a medida abrangerá um total de 419 doentes. “É um processo exigente do ponto de vista logístico”, uma vez que é necessário “identificar a medicação e garantir condições de armazenamento”. “Os serviços informáticos têm de criar acessos para a prescrição, mas os hospitais têm serviços e programas informáticos diferentes, o que atrasou a implementação. Uns avançaram, outros não”, acrescentou a diretora do serviço de psiquiatria da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo, Ana Matos Pires.

Também no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa, a situação encontra-se indefinida. “A direção do hospital informou que a medida vai acarretar um esforço financeiro muito grande”, confirmou a psiquiatra do hospital, adiantando que foi pedido um reforço orçamental à tutela.

Uma vez que a situação em diferentes centros hospitalares ainda não está resolvida, “os médicos receitam fármacos mais antigos, cedidos aos doentes pelo hospital, que às vezes nem tem de os pagar, uma vez que são praticamente oferecidos pelos laboratórios”. No entanto, estes são medicamentos que apresentam “mais efeitos secundários”.

SO

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