Doenças autoimunes. “Começamos a colher os frutos da investigação”

O X Congresso de Autoimunidade e a XXIX Reunião do Núcleo de Estudos de Doença Autoimunes da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna vão decorrer entre os dias 27 e 29 de junho, em Lisboa. José Delgado Alves, o coordenador do Núcleo de Estudos de Doenças Autoimunes (NEDAI) da SPMI, fala sobre a evolução da terapêutica nesta área.

Porquê a temática “From bedside to bench: one size does not fit all”?

A Imunologia Clínica teve grande avanços nos últimos anos. Não se verificaram descobertas imunológicas fabulosas, contudo, estamos na fase de se fazer a translação para a prática clínica. O conhecimento de há 10 ou 20 anos, está, atualmente, a ter impacto direto no dia a dia, sobretudo na Farmacologia. Nos últimos anos, tem havido uma grande preocupação por parte da classe médica para se perceber melhor os mecanismos e as origens da doença e é importante levar esta inovação aos doentes.

 

E esses avanços têm sido em que doenças autoimunes (DAI)?

Em quase todas. Um exemplo é a artrite reumatoide, que é das DAI mais frequentes. Têm sido desenvolvidas terapêuticas, nomeadamente biológicas, que permitem um melhor controlo da patologia. A inovação nas DAI permite-nos, até, nalguns casos, que se fale em remissão da doença. O lúpus é um exemplo de como há 40 anos não havia uma resposta concreta e, hoje em dia, além dos fármacos aprovados, estão a surgir outros, que atuam em vias diferentes. Por outras palavras, existe evidência de mecanismos por detrás da doença que jamais imaginámos que houvesse. O mesmo com a esclerose sistémica… Até para doenças mais simples, como a alopécia areata.

Em suma, começamos a colher os frutos da investigação, numa área de doenças muito complexas – algumas raras.

 

A prevalência das DAI tem aumentado?

Não há dúvidas que o número de doentes aumentou, mas, muitas vezes, estas patologias não têm um diagnóstico fácil e, seguramente, muitos dos casos que estão a surgir devem-se ao facto de não terem sido diagnosticados mais cedo.

 

Olhando para o futuro, que desafios se terão de enfrentar na área das DAI?

O grande desafio, pelo menos na próxima década, será a forma como se vai aplicar o conhecimento. Face à componente custo-efetiva dos medicamentos, existe uma tendência para se homogeneizar o tratamento. É uma política que, do meu ponto de vista, é perfeitamente razoável em patologias muito frequentes e mais ou menos homogéneas. A questão é que as DAI são doenças complexas, logo não existem dois doentes iguais, já que a mesma DAI pode ter manifestações diferentes, dependendo das características dos indivíduos. É preciso apostar na personalização das terapêuticas.

 

MJG

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