11 Fev, 2022

DGS suspende medicamento para vírus respiratório que afeta crianças

A decisão surgiu no âmbito do acentuado decréscimo da circulação do vírus sincicial respiratório no mês de janeiro de 2022, refere a DGS numa nota.

A Direção-Geral da Saúde (DGS) determinou a suspensão, a partir da próxima semana, da administração de palivizumab, que previne a infeção pelo vírus sincicial respiratório (VSR) em crianças de risco, devido à situação atual epidemiológica.

A medida foi definida face à situação epidemiológica atual de circulação do VSR, um vírus muito frequente, responsável pela bronquiolite e a pneumonia, constituindo uma das principais causas de internamento hospitalar abaixo dos dois anos de idade. Ficam, no entanto, salvaguardadas “as indicações clínicas excecionais e fundamentadas”, refere a autoridade de saúde num despacho hoje publicado.

A diretora-geral da Saúde tinha determinado num despacho anterior (nº 012/2021) a antecipação do início da administração da primeira dose de palivizumab a partir da segunda quinzena de setembro devido “à situação de excecional precocidade da circulação do vírus sincicial respiratório [VSR], no verão de 2021”. Ficou também previsto o acompanhamento e monitorização da situação epidemiológica, para determinação do período de administração da última dose de palivizumab.

O grupo de trabalho constituído para o efeito analisou a situação e verificou um acentuado decréscimo da circulação do vírus sincicial respiratório no mês de janeiro de 2022, refere a DGS numa nota comunicada na sua página na Internet.

Ainda assim, a entidade reforça a necessidade de promover a divulgação e a implementação de medidas higiénicas de prevenção de infeções respiratórias, divulgando um panfleto que explica o que são infeções respiratórias e como se pode proteger as crianças com pequenos gestos. “A nossa saliva e as nossas mãos podem transportar vírus e bactérias, que podem provocar doença grave nos bebés. O risco dos bebés terem infeção respiratória grave é tanto maior quanto mais pequenos forem. Os recém-nascidos são, por isso, os mais suscetíveis à infeção”, lê-se no panfleto.

Foi demonstrado que o palivizumab diminui a taxa de hospitalização de crianças infetadas pelo vírus (diminuição risco de hospitalização de 5.8 pontos percentuais no estudo Impact-RSV – de 10,6% no grupo controlo para 4,8% no grupo de estudo) mas, uma vez internadas, parece não diminuir a necessidade de ventilação mecânica nem a mortalidade, segundo informação divulgada pela Sociedade Portuguesa de Pediatria.

SO/LUSA

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