21 Fev, 2022

Despesa do SNS com prestação de serviços e horas extra subiu 15% e já ultrapassa os 530 milhões

Os administradores hospitalares acusam o governo de não ter estratégia para resolver estes fenómenos, que se agravaram em 2021.

Em 2021, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) pagou 530 milhões de euros em prestações de serviços e horas extra: 142 milhões corresponderam à primeira rubrica e 388 milhões à segunda, revelam dados da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) analisados pelo Público.

Somando o número de horas totais realizadas em prestações de serviços e extraordinárias, em 2021 registou-se um acréscimo de 18,5% – mais 4,1 milhões de horas – em comparação com 2020. No que concerne o total de custos, os 530 milhões correspondem a um aumento de 15% – mais 69 milhões de euros – em relação ao ano anterior.

Através de uma análise estratificada por grupos profissionais, os enfermeiros foram aqueles que mais horas extra realizaram: 7,1 milhões de horas (103 milhões de euros). Os médicos trabalharam 5,7 milhões de horas extra (185 milhões de euros) e os restantes profissionais do SNS fizeram nove milhões de horas fora do horário normal com um custo associado de 99,5 milhões de euros.

“Que estratégia existe para reduzir estes fenómenos?”, questiona o presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, Alexandre Lourenço, ao reforçar que os dados só mostram que a questão das horas extra “não foi resolvida”.

De acordo com a sua opinião, “é preciso uma solução estrutural”. “Em relação aos médicos, há a questão das urgências e da capacidade de retenção. Em relação aos enfermeiros também existe um problema estrutural, sem fim à vista, se não houver um diálogo com a classe para criar condições para as pessoas estarem satisfeitas”.

“Não vamos ter redução do absentismo enquanto não resolvermos o problema-base que é a falta de pessoas. Nunca se ouviu falar tanto de burnout como agora. Os enfermeiros estão no limite da exaustão física e mental”, o que também revela que “o que tem sido contratado pelo SNS não é suficiente”, critica o presidente do Sindicato dos Enfermeiros, Pedro Costa.

Também o presidente da Federação Nacional dos Médicos, Noel Carrilho, defende que “não é surpresa este aumento brutal das horas suplementares, pois temos denunciado a exigência cada vez maior a este recurso. À medida que se vai falando do fim da pandemia, não se avista nenhuma modificação em relação a essa exigência, que se começa a tornar o novo normal dos médicos”.

SO

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