A Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) pretende disponibilizar, de forma gratuita, 500 mil testes rápidos para deteção do vírus SARS-CoV-2 em escolas e lares de todo o país. Os testes em causa permitem ter os resultados em apenas 15 minutos e garantem uma taxa de confiança muito elevada, avança o jornal Expresso.

“Através de um protocolo para articulação com as autoridades de saúde, seria possível iniciar os diagnósticos ainda em setembro. Esta é a solução para cortar as cadeias de transmissão e mudar o paradigma da intervenção em saúde pública”, garante Francisco George, presidente da CVP, que garantiu financiamento internacional para adquirir os testes.

Francisco George avançou com a ideia, numa primeira instância, junto da ministra da Saúde, através de SMS, mas não obteve resposta. Contudo, durante uma reunião no Infarmed, o presidente da CVP voltou a insistir e o primeiro-ministro admitiu que seria “uma oportunidade para as escolas”.

Neste momento, a proposta da CVP está a ser analisada pelo Ministério da Saúde. Isto apesar de a Direção Geral de Saúde conservar algumas reservas em relação a estes testes. “Neste momento é importante analisar o perfil de especificidade e sensibilidade do teste para evitar não só falsos positivos como falsos negativos”, ressalvou a DGS na semana passada.

No entanto, o pneumologista Filipe Froes considera que o plano de testes em massa deve avançar e não entende a relutância do governo. “Estes testes rápidos vão mudar a estratégia, são fundamentais para ganhar tempo até termos uma vacina. É a melhor medida que Portugal ouviu desde que a pandemia chegou”, diz o médico, que avisa, todavia, que 500 mil testes não serão suficientes.

Os testes em causa têm uma sensibilidade é de 93% e a especificidade de 99%, o que lhes confere uma alta fiabilidade, maior até do que os testes PCR (com zaragatoa) que são usados atualmente. No entanto, e apesar de as duas farmacêuticas que comercializam estes testes garantirem que não necessitam de uma confirmação com PCR, o médico Rui Nogueira defende que essa confirmação deve ser feita, pelo menos numa primeira fase.

Os testes são feitos com recolha de saliva e estão a ser vendidos a um preço que varia entre os cinco e os dez euros.

TC/SO

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