27 Abr, 2021

Portugal só regista um caso validado de reinfeção por SARS-CoV-2

A maioria dos casos que têm sido reportados como reinfeções são, na verdade, resultados falsos positivos.

Dados do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA),revelam que nos últimos 14 meses, em Portugal, só foi validado um caso de reinfeção de covid-19. A maior parte das suspeitas de uma segunda infeção tem origem em falsos positivos na testagem ao vírus.

O responsável pelo Núcleo de Bioinformática do Departamento de Doenças Infeciosas do INSA, João Paulo Gomes, explicou ao Jornal de Negócios que a maioria dos casos de suspeita de reinfeção foram causadas por testes com um resultado falso positivo, pois “a carga viral de uma das amostras roçava o limite da sensibilidade dos testes. Era tão baixa, que permite levantar a suspeita de falso positivo.”

Para se considerar uma reinfeção “é necessário que aconteçam dois episódios de infeção suficientemente separados no tempo; é preciso ter acesso às duas amostras, o que já não é fácil; e é necessário que essas amostras possuam uma carga viral razoável. Se não o tiverem, não é sequer possível caracterizar geneticamente o vírus para se perceber se é diferente do primeiro”, esclarece João Paulo Gomes.

Contudo, destaca que há ainda outros casos a considerar: aqueles em que se pode estar perante um caso positivo verdadeiro, “mas não de uma infeção real”, o que pode acontecer a quem já esteve infetado e a quem já recebeu a vacina contra este coronavírus — nestas duas possibilidades, a pessoa poderá já estar imunizada.

“Gostava de distinguir o positivo do infetado. Uma pessoa fica positiva, porque contactou com outra positiva. Mas não adoeceu, porque estava vacinado e o sistema imunitário debelou o vírus. Chamar reinfeção a isto é um bocadinho perigoso”, concluiu.

 

A reinfeção

 

Os casos de reinfeção são raros, mas não impossíveis Para detetá-los com certeza é necessário estudar o genoma do vírus. Em declarações à SIC, Miguel Castanho, professor da Faculdade de Medicina de Lisboa afirma que para confirmar a reinfeção é necessário fazer um “rastreio muito detalhado da sequência completa do património genético, e tem de ser feito por amostragem”, o que seria “impossível de fazer a toda a gente”.

“Uma verdadeira reinfeção é um fenómeno que acontece quando um segundo vírus infeta uma pessoa, depois de já ter sido infetada uma primeira vez por outro vírus. Presupõe-se que a segunda infeção é de um vírus diferente do primeiro”, explica o professor.

Nestes casos, “as variantes entram como um vírus diferente e ser uma variante nova é muito relevante, porque se a pessoa é reinfetada com uma variante diferente, isso quer dizer que a imunidade que construiu na primeira infeção não é totalmente eficaz contra essa nova variante”, clarifica Miguel Castanho.

O que também pode acontecer é um paciente que já tenha sido infetado adoecer com os mesmos sintomas, mas nestes casos trata-se apenas de manifestações da doença, e não de reinfeção. Por isso, é importante a vigilância permanente das entidades de saúde.

Neste momento ainda é impossível determinar o tempo de duração da imunidade de quem já esteve infetado, daí a importância da vacinação para prevenir infeções graves, hospitalizações e óbitos.

SO

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