Covid-19: Consultas e tratamentos adiados colocam doentes com esclerodermia em risco

29 Jun, 2020

O alerta é dado pela Presidente da Associação Portuguesa de Doentes com Esclerodermia (APDE). Catarina Leite refere que doentes "poderão ver a sua doença agravada”

A esclerodermia afeta até 3.000 pessoas em Portugal é uma doença sistémica que pode afetar inúmeros órgãos e, por isso, é necessária uma vigilância e controlo regular a estes doentes. Seja por incapacidade do Sistema Nacional de Saúde nesta altura de pandemia ou por medo dos próprios doentes, esta diminuição no controlo destes doentes poderá ter consequências graves.

Catarina Leite refere que “apesar de estes doentes poderem apresentar quadros mais graves de doença, caso sejam infetados, e de esta vulnerabilidade ser real, o risco de deixar a esclerodermia por tratar pode ser muito mais grave”. Acrescenta ainda que «os doentes devem sempre seguir as indicações do seu médico e não adiar consultas ou idas necessárias ao hospital.

A propósito do Dia Mundial da Esclerodermia irá realizar-se uma campanha europeia da Federação Europeia de Associações de Esclerodermia (FESCA), com o slogan “O nosso sorriso é vulnerável, proteja-se para nos proteger”. Em Portugal esta campanha irá materializar-se com a distribuição de cartazes em hospitais e farmácias e com vídeos de profissionais de saúde, no sentido de esclarecer dúvidas aos doentes.

 

Estes doentes “têm de consultar até cinco médicos para conseguir um diagnóstico”

 

Catarina Leite alerta ainda para a necessidade de mais informação, mais esclarecimento e mais conhecimento, para facilitar o diagnóstico. “Para além de todas as dificuldades inerentes aos sintomas da doença, reconhecendo que alguns dos sintomas podem ser incapacitantes, os doentes deparam-se com a desinformação que a população em geral tem acerca da doença”, refere a presidente da APDE.

Esta é uma doença rara que afeta sobretudo as mulheres e que tem o seu pico de incidência entre os 35 e 45 anos, podendo, no entanto, ocorrer em qualquer idade. “Por se tratar de uma doença rara, para se receber tratamento adequado é necessário encontrar um dos especialistas que se dedicam à doença, já que a mesma é desconhecida mesmo para muitos profissionais de saúde. Ora estes especialistas estão, salvo raras exceções, nos grandes centros, como Lisboa, Porto e Coimbra, o que faz com que alguns doentes tenham de percorrer muitos quilómetros para se deslocarem às consultas, exames e tratamentos”, refere Catarina Leite. Estes doentes devem sempre seguir as recomendações dos médicos e da Direção Geral de Saúde e, sempre que precisarem, podem recorrer à APDE.

SO/COMUNICADO

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