4 Set, 2020

Covid-19: Associação apela à DGS revisão de orientações sobre gravidez e partos

Associação quer revisão de orientações "não baseadas em evidência científica robusta", divergentes às da OMS ou que não considerem "repercussões negativas" e direito a acompanhante.

A Associação Portuguesa pelos Direitos da Mulher na Gravidez e no Parto quer revisão das orientações definidas para as instituições hospitalares. O apelo dirigido ontem à Direção-Geral da Saúde (DGS) decorre da receção de “muitos pedidos de ajuda” de grávidas, afirma a associação.

Apesar de as orientações da DGS darem autonomia aos serviços hospitalares para se organizarem conforme conseguem, a fundadora da associação, Sara do Vale, afirmou que “a verdade é que assim que a DGS muda as suas políticas, os hospitais mudam também, ou seja, a DGS diz que cada hospital organizar-se-á como for mais conveniente e os serviços dizem que a DGS ainda não mudou as orientações”.

Em declarações à Lusa, Sara do Vale explicou que, por esse motivo, a associação enviou a 21 de agosto uma carta à DGS a solicitar um pedido de audiência e a clarificação das orientações, decorrentes devido à Covid-19, para as mulheres grávidas e o parto. Contudo, a responsável informa que até ao momento não recebeu “nenhuma resposta”.

Na carta lê-se o seguinte: “gostaríamos de saber se a DGS está a par da situação real, nomeadamente se as atuais políticas hospitalares estão alinhadas com as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e pedidos das utentes, assim como o que está a ser feito ou se há planos para que se recomende que as instituições ajustem as suas políticas”.

A associação argumenta que, desde o início da pandemia de Covid-19, tem recebido “muitos pedidos de ajuda”, sendo uma das questões mais partilhadas pelas grávidas a “questão do acompanhante” quer nas consultas quer no parto.

“Como sempre, Portugal peca por excesso. Os outros países europeus permitem acompanhantes no parto; aqui, apenas algumas mulheres têm e com restrições ainda”, sublinhou a representante. Já no respeitante à separação da mãe e do recém-nascido e à amamentação, Sara do Vale referiu que “Portugal foi na direção oposta” ao recomendado pela OMS.

Mesmo no pós-parto, “muitas” mulheres têm recorrido à associação com pedidos de ajuda, pelo que a responsável destacou a importância de abordar a questão da saúde mental.

“Incitamos a vossa instituição a reformular e clarificar a política de acompanhante durante o parto e quaisquer orientações que não sejam baseadas em evidência científica robusta, que apresentem divergências relativamente às recomendações da OMS, e que não tenham em consideração as repercussões negativas decorrentes da sua implementação no estabelecimento do vínculo entre a mãe e o seu recém-nascido, na amamentação e na saúde e bem-estar emocional de ambos”, apelava a associação na missiva.

Neste momento, decorre também uma petição pública pelo “Direito ao acompanhamento da grávida nas consultas, procedimentos e no parto”, que conta hoje pelas 12h com 3.269 assinaturas.

“Estando em regime excecional, este direito tem vindo a ser desvirtuado. Visto que mães e bebés não são considerados grupos de risco e o acompanhamento nesta fase à gestante é essencial, vimos por este meio requerer que as consultas marcadas, ecografias, parto e outros procedimentos tenham a possibilidade de ter um acompanhante”, lê-se na petição.

Lusa/SO

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