20 Nov, 2018

Consumo de antibióticos diminuiu nos hospitais e em ambulatório

O consumo de antibióticos em meio hospitalar baixou 4,96% entre 2013 e 2017, segundo dados divulgados ontem pela Direção-Geral da Saúde (DGS), que revelam também uma descida do consumo destes medicamentos em ambulatório.

“O consumo global de antimicrobianos em meio hospitalar reduziu-se, entre 2013 e 2017, 4,96% (de 1,64 DHD [Doses Diárias Definidas por 1000 habitantes] para 1,53DHD)”, indicam os números da DGS. Esta baixa deve-se essencialmente à redução do consumo de antibióticos da classe das quinolonas (-29,58%) e aminoglicosídeos (-19,43%)”, refere o relatório anual do Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência aos Antimicrobianos (PPCIRA).

Relativamente aos consumos em ambulatório (os que ocorrem nos serviços de urgência, serviços de atendimento permanente, cuidados de saúde primários, cuidados continuados integrados e consultórios privados), o consumo baixou para 20,3 DHD em 2017, correspondendo assim de forma idêntica ao resultado obtido em 2014, adianta o relatório apresentado na 4.ª Jornada do Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência aos Antimicrobianos, que está a decorrer em Lisboa.

Em declarações aos jornalistas, à margem do encontro, a diretora do PPCIRA, Maria do Rosário Rodrigues, afirmou que “os números estão a diminuir porque têm sido feitos esforços nesse sentido”.

Maria do Rosário Rodrigues apontou como “pilares da área de controlo de infeção”, os programas de apoio à prescrição de antibióticos na área dos hospitais e cuidados de saúde primários e as “precauções básicas de controlo de infeção” sobre as quais se tem vindo a insistir.

Diminuição das resistências

“Em relação às resistências, também estamos com bons resultados. Temos na maior parte dos casos tendências de diminuição”, salientou.

A bactéria “Staphylococcus aureus resistente à Meticilina” (MRSA), que provoca infeções muito difíceis de tratar, está “a diminuir paulatinamente”, disse a responsável, explicando que esta bactéria provoca infeções da corrente sanguínea, infeções da pele e tecidos moles, pneumonias, infeções nos cuidados intensivos, na neonatologia, “até porque este agente pode estar na pele”.

“As nossas mãos podem ser transmissoras e daí a importância grande na higiene das mãos como medida de controlo de contenção da transmissão deste microrganismo”, disse Maria do Rosário Rodrigues.

Para a descida da MSRA, contribuíram de forma “muito benéfica” as medidas conjuntas, a política de apoio de prescrição aos antibióticos, a insistência na higiene das mãos e das precauções básicas e a própria norma que saiu de rastreio e controlo da MRSA.

Já a bactéria “Klebsiella pneumoniae”, que provoca pneumonias e infeções sanguíneas e do trato urinário entre outras doenças, está “em crescimento” em Portugal e em outros países da Europa.

“É uma bactéria resistente a muitos antibióticos. Depois ficamos muito restritos em termos de possibilidades de terapêutica. Por outro lado, essas bactérias como adquirem resistências têm muita facilidade na sua disseminação e propagam-se com facilidade”, disse Maria do Rosário Rodrigues.

Por estas razões, esta bactéria pode causar surtos, que “são problemáticos porque são difíceis de controlar e de tratar”. Como razões para o aumento da “Klebsiella pneumoniae”, apontou o uso elevado de antibióticos, que pode provocar mais resistências.

A prevenção destas infeções passa por medidas de controlo como o rastreio, a higiene do ambiente das unidades, a sinalização de doentes que surgem com infeções depois de terem sido tratados com antibióticos.

LUSA

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