Concelhos do distrito de Bragança com cuidados paliativos ao domicílio até julho

Os cuidados paliativos ao domicílio vão chegar até julho a todos os concelhos de Bragança, um dos dois distritos com a maior taxa de cobertura a nível nacional, foi anunciado na sexta-feira, durante umas jornadas sobre o tema

A Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos escolheu Bragança para as segundas jornadas de investigação que, durante dois dias, deram conhecer aos profissionais da área as novidades no apoio a doentes em fase terminal.

O presidente da associação, Manuel Luís Capelas, indicou que Bragança, junto com Beja, é do ponto de vista domiciliário das melhores zonas do país cobertas por cuidados paliativos, uma realidade que vai ser reforçada nos próximos meses, abrangendo os 12 concelhos do distrito.

O presidente da Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste, Carlos Vaz, anunciou que “até fins de junho/julho” pretende implementar, em todos os concelhos do sul do distrito, “também equipas preparadas para fazer as visitas domiciliárias com o acompanhamento do departamento dos paliativos”.

“Cada concelho terá a sua equipa integrada com o Centro de Saúde e outras instituições, como misericórdias ou outras associações, de modo a fazer equipas multidisciplinares permanentes de visitas a toda a região”, explicou.

Os concelhos em causa serão Mirandela, Carrazeda de Ansiães, Vila Flor, Freixo de Espada à Cinta e Torre de Moncorvo.

O modelo para os cuidados paliativos domiciliários será idêntico ao que existe em Alfândega da Fé, onde a resposta começou a ser dada por uma equipa da Liga dos Amigos do Centro de Saúde e agora está integrada na ULS do Nordeste.

O distrito tem duas unidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS), em parceria com outras entidades, a da Terra Fria que cobre os concelhos de Bragança, Vinhais e Macedo de Cavaleiros, e a do Planalto Mirandês para os concelhos de Miranda do Douro, Vimioso e Mogadouro.

A nível nacional, “ainda há muito caminho a percorrer” na prestação de cuidados paliativos ao domicilio, com uma taxa de cobertura “na ordem dos 17%”, segundo o presidente da associação, Manuel Luís Capelas.

Já Bragança, nesta área “é um distrito líder”, como realçou Duarte Soares, um dos médicos responsáveis pelo departamento de cuidados paliativos da ULS do Nordeste.

A cobertura territorial ao domicílio é atualmente de “60%”, já a estatística do número de doentes é mais difícil de concretizar, segundo o responsável que aponta, contudo, para uma cobertura “na ordem dos 50%”.

Há oito anos, que o SNS tem esta resposta na região e os números são considerados “animadores”, apesar “da população envelhecida e da escassez de recursos”, com a maior limitação na falta de médicos.

Os paliativos domiciliários contam com uma equipa de seis médicos e “precisam de reforço”, como disse Duarte Soares, vincando que “a questão não é tanto por número de doentes, mas por número de visitas”, que obrigam os profissionais a fazer por dia “300/400 quilómetros” para chegarem a casa dos doentes.

Esta matéria tem merecido também a atenção do Ensino Superior, com a Escola de Saúde de Bragança a oferecer um mestrado em Cuidados Continuados, desde 2009, e a abrir, no dia 24, uma pós graduação em Cuidados Paliativos por solicitação dos profissionais, como disse a diretora, Helena Pimentel.

LUSA/SO

 

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