20 Set, 2016

Centenas de utentes de Loures sem psiquiatria comunitária

Autarquia denuncia que os utentes de Loures estão sem equipas de psiquiatria comunitária, que faziam acompanhamento de proximidade a problemas de saúde mental, deixando “centenas de pessoas” sem seguimento

Durante uma conferência sobre a aplicação do Plano Nacional de Saúde em Loures, o presidente da Câmara local, Bernardino Soares, alertou para a interrupção da oferta do acompanhamento de proximidade na área da saúde mental desde que o Hospital Beatriz Ângelo está em funcionamento.

“Foi extinta uma unidade que fazia o acompanhamento de muitas centenas de pessoas e, na saúde mental, a continuidade do acompanhamento é essencial para a estabilidade das pessoas”, afirmou o autarca em declarações aos jornalistas à margem da conferência promovida pela Direção-geral da Saúde.

Segundo explicou, o contrato programa que o anterior Ministério da Saúde fez com o Hospital Beatriz Ângelo (uma parceria público-privada) determinou uma interrupção do trabalho dessas equipas de proximidade que vinham antes dos hospitais de Santa Maria e Júlio de Matos, em Lisboa.

“O Hospital [Beatriz Ângelo] não tem nem está obrigado a ter a mesma oferta comunitária. Recebe depois as pessoas já em situação de crise na urgência, que é o que queremos evitar”, disse Bernardino Soares.

A autarquia estabeleceu para já um protocolo com o Hospital Júlio de Matos para voltar a ter uma equipa comunitária a trabalhar na zona oriental do concelho.

O diretor executivo do Hospital Beatriz Ângelo, Artur Vaz, confirma que a psiquiatria hospitalar é a única prevista no contrato com o Estado, deixando de fora a psiquiatria comunitária, um problema que afeta Loures, Mafra e Sobral de Monte Agraço.

Para o administrador, essas equipas comunitárias “fazem falta e fazem sentido”, estando inclusivamente previstas no Plano Nacional de Saúde Mental.

Em declarações aos jornalistas, Artur Vaz não conseguiu detalhar o número de atendimentos na psiquiatria do Beatriz Ângelo, mas confirmou que a saúde mental tem um peso elevado na atividade do hospital: “Temos dificuldade em ter vagas de internamento no nosso serviço de psiquiatria, que tem 25 camas de agudos e normalmente estão sempre cheias”.

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